Denshiro Saito
Texto de Takahiko Hashimoto

Ao embarcar para o Brasil no navio Manila Maru, o jovem Denshiro Saito trazia a bagagem nas mãos e, esperanças e
sonhos no coração. Deixava certamente angústias e saudades nos parentes que ficavam, pois acompanhava como
membro, a família do seu irmão Dempachi. Movido pelo destemor da idade, vislumbrava para além do horizonte as
oportunidades que a sua terra natal lhe negava. Tinha 16 anos e a data era 30 de abril de 1932.
Com chegada em 27 de junho de 1932 no Porto de Santos, a próxima parada foi a Estação Paraguassú. Daí, a longa
jornada terminou na Colônia Bunka.
Trabalhando na lavoura de café, logo viu aflorada a principal característica da sua personalidade: o espírito de
liderança. Apenas havia se passado três anos, quando foi designado como presidente da Associação de Moços da
comunidade e, como tal, colaborando com a administração da Colônia Bunka.
Quando Tokow Yamada idealizou a Cooperativa Algodoeira Paraguassu e assumiu a sua presidência, Denshiro Saito
desempenhou um importante papel no empreendimento. Inicialmente fazendo a captação de novos cooperados, ajudando
no convencimento para a participação no projeto, tarefa difícil, porque significava a adesão a um conceito
extremamente avançado para a época, que era o cooperativismo. Posteriormente, passou a atuar na gestão da
Cooperativa ocupando um alto cargo administrativo. As instalações eram localizadas na Avenida Brasil, onde
atualmente funciona uma unidade da Prefeitura Municipal. Ainda hoje, é possível observar que a fachada segue o
padrão clássico das indústrias do século 18. Infelizmente, com o advento da 2ª Guerra Mundial e a entrada do
Brasil no evento - em 1942, todo o patrimônio da Cooperativa Algodoeira Paraguassu foi confiscado pelo governo
central.
Terminado o Conflito Mundial, passou a empreender como cotonicultor no município de Maracaí, mantendo, contudo,
uma empresa comercial de compras de algodão em Paraguaçu.
No início da década de 50, adquiriu uma fazenda na região de Taquarituba, no centro sul do Estado de São Paulo,
implantando técnicas modernas de agricultura. Os altos custos dos juros e o grande investimento na produção
acabaram inviabilizando o negócio.
Paralelamente à sua atividade profissional, desenvolveu um grande trabalho junto à colônia japonesa do município
e da região. Inteligente, persuasivo e articulado, transitava com desenvoltura nos diversos ambientes sociais e
políticos da cidade, ajudando a consolidar as relações da colônia com a sociedade paraguaçuense.
Nos movimentos sociais e nas demandas da comunidade japonesa sempre foi um dos líderes dos trabalhos. Assim, em
1940, ajudou a criar a primeira entidade representativa da colônia – Nihon Jin Kai (Associação Nipo-Brasileira
de Paraguaçu), ocupando a presidência até 1950. A instituição que viria a se transformar em 23 de janeiro de
1952 na ACEPP - Associação Cultural e Esportiva de Paraguaçu Paulista, continuou a ter em Denshiro Saito um dos
seus maiores colaboradores. Na década de 1960, junto com o Dr. Mitsuo Marubayashi, Hissagy Marubayashi, Shigueo
Yonashiro, entre outros, liderou uma campanha que resultou na construção da primeira sede social da ACEPP. O
projeto, necessário ressaltar, foi colaboração do seu sobrinho, engenheiro Keitaro Yaguinuma.
Foi também importante líder regional. Ajudou a fundar a Associação Cultural Nipo- Brasileira da Alta Sorocabana,
criada em 1962, em Presidente Prudente. Chegou a ser eleito presidente da entidade, mas renunciou ao cargo por
não residir na cidade sede, tendo assumido o seu lugar o vice-presidente Jiro Shimanoe.
Quando se conta a história da instalação da Faculdade de Agronomia de Paraguaçu Paulista, uma das mais belas
histórias escritas nos anais da cidade, que nasceu da mobilização da comunidade que colaborou financeiramente
para viabilizar o sonho, não se pode esquecer o nome de Denshiro Saito. Desempenhou papel fundamental, como um
dos líderes da colônia japonesa, para que houvesse uma grande adesão da mesma ao projeto. Foi membro da primeira
diretoria da Associação Amigos do Ensino de Paraguaçu, uma das três bases da Fundação Gammon de Ensino.
No círculo das famílias japonesas era extremamente respeitado e se relacionava com a mesma facilidade e
simplicidade tanto com os mais idosos, como com os mais jovens. Foi uma das pessoas mais influentes da
comunidade. A mudança com a família para São Paulo, interrompeu uma história de amor - talvez a palavra paixão
seja a mais correta, por uma cidade que o acolheu e o viu se transformar em uma das pessoas inesquecíveis que
ajudaram a escrever as páginas mais importantes da história da colônia japonesa.
Nasceu em 24 de fevereiro de 1916, no Condado de Date, Província de Fukushima, Japão. Faleceu aos 70 anos de
idade no dia 30 de março de 1986, em São Paulo. Deixou a senhora Kin Watanabe com quem se casara em 29 de
fevereiro de 1945. O casal teve cinco filhos: Yukihiko Saito, Wilson Kazuhiko Saito, Manabu Saito, Mutsumi Saito
e Fumi Saito.
Com justiça, integra a galeria das pessoas que merecem permanecer na memória da colônia e da população de
Paraguaçu Paulista.