50 Anos da Imigração Japonesa no Brasil
1908 - 1958
Texto de Takahiko Hashimoto
No Brasil – terra do futebol, o ano de 1958 traz como lembrança a conquista pela primeira vez da Copa do Mundo
de Futebol. Quem presidia o país era o presidente Juscelino Kubitschek que comandava a construção de Brasília –
a sua maior realização, obra inaugurada dois anos depois, em 1960. Os amantes da música lembrarão que em 1958
aconteceu uma revolução musical com o lançamento do disco Chega de Saudades de João Gilberto, considerado marco
inicial da bossa nova, gênero que correu o mundo.
Para os imigrantes japoneses e descendentes, o ano marcava os 50 anos do início oficial da imigração ao Brasil.
No âmbito nacional, foi criada uma Comissão de Festejos cuja programação teve como ato mais importante a visita
do casal de Príncipes Mikasa – Takahito e Yuriko. Foi a primeira vez que, oficialmente, membros da Família
Imperial visitaram o Brasil.

Fonte: Embaixada do Japão
Os príncipes Mikasa – casal no centro, participando do lançamento da pedra fundamental do Bunkyo - Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, em São Paulo, no âmbito das comemorações dos 50 anos da
imigração japonesa no Brasil.
Além de outros importantes eventos com o objetivo de dimensionar a integração dos nikkeis à vida brasileira e a
colaboração para o desenvolvimento nacional, planejou-se um censo e, para tal, foi formada a Comissão do
Recenseamento da Colônia Japonesa. Iniciado em 1958, o trabalho de campo durou dois anos e contou com a
colaboração de seis mil pesquisadores, entre eles o senhor Taro Moriyama responsável pelo levantamento de
Paraguaçu Paulista (segundo Hélio Moriyama). A tabulação e análise dos dados foram feitas pela Universidade de
Tóquio e a divulgação dos resultados aconteceu em 1964. (Maesima, 2011, p.1)
A pesquisa permitiu saber que em 1958 – na época administrada pelo prefeito Victor Labate, Paraguaçu Paulista
então uma pequena cidade com 24.543 habitantes (SEADE – 1950), tinha uma comunidade nikkei composta de 1.427
pessoas, sendo 415 imigrantes e 1.012 descendentes. A maioria – 873, residente na zona rural e os demais 554 na
zona urbana. Do total, 742 eram do sexo masculino e 684 do sexo feminino. (Comissão de Recenseamento da Colônia
Japonesa, 1964, p.12).
A colônia tinha como representação oficial a ACEPP - Associação Cultural e Esportiva Paraguaçu Paulista,
entidade formalizada em 24.01.1952, em substituição a Associação Nipônica Brasileira de Paraguaçu (segundo
Etsuko Marubayashi).
No dia 1 de março de 1958, em Assembleia Geral Ordinária realizada em sua sede era eleita a nova diretoria da
Associação Cultural e Esportiva Paraguaçu Paulista.
A instituição passava a ser dirigida pela seguinte equipe de colaboradores:
Presidente: Paulo Yukioshi Marubayashi; Vice-Presidente: Massao Kariya; 1º Secretário: Augusto Yoshiro
Matsukura; 2º Secretário: Seijim Hanashiro; 1º Tesoureiro: Mário Massuda; 2º Tesoureiro: Seishi Okuma; Diretor
Esportivo de Beisebol: Geraldo Miyamoto e Hideo Marubayashi; Diretor Esportivo de Judô: José Higa e João
Katekawa, sendo Técnico – instrutor: Michiaki Sassaki; Diretores Sociais: Kazumi Kuroiwa, Mitsuo Aoki e José
Itikawa; Conselho Fiscal: Toshio Oda, Hissagy Marubayashi e Issamu Tsuzaki; Suplentes do Conselho Fiscal:
Massaichi Nishiyama, Shigueo Yonashiro e Ujiro Nishiura.
Na cerimônia de transmissão de posse o ex-presidente, senhor Augusto Matsukura, fez referências à Comissão
formada para organizar os festejos de comemoração dos 50 anos da Imigração Japonesa, solicitando o apoio da nova
Diretoria para os trabalhos da mesma.
A referida Comissão, denominada COMISSÃO EXECUTIVA, era formada pelos seguintes membros:
Hissagy Marubayashi – Presidente, Denshiro Saito – Vice-Presidente, Naenae Toyama – Vice-Presidente, Toshio Oda
– Secretário, Shoiti Nishiyama – Secretário, Kazumi Kuroiwa – Tesoureiro e Ujiro Nishiura - Tesoureiro.
Certamente ocorreram várias reuniões para se definir como a data seria celebrada. Se, nacionalmente diversos
eventos foram programados, inclusive com a presença de príncipes do Japão, em Paraguaçu Paulista, não poderia
ser diferente.
Definiu-se que era necessário deixar um monumento comemorativo para a posteridade, que fosse marcante e bem
representativo. A forma escolhida foi a de uma torre encimada por um relógio.
A colônia se mobilizou em uma campanha para levantar recursos para a construção e para cobrir os gastos de
outras festividades que seriam realizadas.
Na prestação de contas da COMISSÃO EXECUTIVA, publicada no jornal “A SEMANA”, do dia 27 de julho de 1958,
pode-se verificar uma relação de 216 famílias contribuintes, incluídas 21 de municípios vizinhos como Oscar
Bressane - 3, Lutécia - 6, Maracaí – 10, Cândido Mota - 1 e Quatá - 1. Além das famílias, consta a doação de
duas empresas: Cooperativa Agrícola Bandeirante e Cooperativa Agrícola Sul Brasil. Assim, foram contabilizadas
218 contribuições.
A maior contribuição recebida foi em nome de Irmãos Marubayashi. Como é comum acontecer em campanhas
semelhantes, no fechamento das contas faltou numerário para cobrir as despesas. A situação foi resolvida por
nova contribuição dos Irmãos Marubayashi e de Keitaro Meguro (Cândido Mota) que também já havia feito
contribuição anterior.
O total arrecadado no final foi de Cr$ 414.617,00 (quatrocentos e quatorze mil, seiscentos e dezessete
cruzeiros), com as despesas no mesmo valor.
A ÁREA ONDE FOI INSTALADA A TORRE – RELÓGIO
Abaixo, fotografias da extensa área que na época dos registros ainda era utilizada como pátio para armazenamento
de toras.
O terreno pertencia à Estrada de Ferro Sorocabana e foi adquirido pelo senhor Hissagy Marubayashi por permuta
com área de sua propriedade e doado ao município para a instalação do monumento e do futuro Jardim das
Cerejeiras.
Inicialmente a direção da Ferrovia havia excluída a área onde se localizava as duas casas de ferroviários, que
se encontravam à esquerda de quem desce a Avenida Paraguaçu ao se dirigir a Estação.
Num ofício encaminhado ao excelentíssimo Governador do Estado, senhor Jânio Quadros, a Comissão Executiva dos
Festejos do Cinquentenário em Paraguaçu Paulista, pleiteou a inclusão da área para não desfigurar o projeto
inicial.
O atendimento da solicitação permitiu que a cidade ganhasse uma ampla área urbanística ao qual foram acrescidas
posteriormente mais duas quadras, que terminam na Estação Rodoviária da cidade.
O professor Osório Lemaire de Morais, em seu livro “O Contador de Histórias”(p. 89, 2005), no tema “Jardim das
Cerejeiras!...escreveu referindo ao espaço utilizado:
“Vejam só, não fosse o espírito empreendedor e de gratidão do saudoso Hissagy Marubayashi, e não teríamos o
lindo Jardim das Cerejeiras e a fonte Luminosa, na praça João XXIII”

VISTA AÉREA DO PÁTIO DE TORAS
Facebook. Crédito da foto - autor desconhecido
Nas edificações da Avenida Brasil, lado direito da foto, na esquina com a rua Pedro do Toledo, destaque para a
casa comercial de tecidos e aviamentos denominada “O Rei dos Barateiros” de Halim Nicolau e Sumaya Nicolau.
Defronte, sob frondosas árvores, existia em grande bebedouro circular de água para equinos, muares e asininos,
servindo o local também como ponto de carroças de aluguel. Nas quadras centrais no alto, três casas que
pertenciam à Estrada de Ferro Sorocabana. No canto inferior esquerdo, empresa do senhor Mário Agostinho e em
seguida a sua residência. Do outro lado da rua o Hotel Paraguaçu. Prosseguindo, na parte superior da foto, a
serraria do senhor Isidoro Batista.

PÁTIO DE TORAS
Facebook. Crédito da foto - autor desconhecido
As toras, amontoadas ao acaso, muitas vezes formando pilhas irregulares. O espaço era um playground para a
garotada da época. Ao fundo aparece a Casa Platezek – na esquina, e mais à direita a Casa “O Rei dos
Barateiros”.
O Monumento - Relógio
Uma torre com 12 metros de altura, em que a base era um tanque circular de água, tendo na parte superior um
grande relógio, foi erguida de acordo com projeto elaborado pelo engenheiro Keitaro Yaguinuma (sobrinho de
Denshiro Saito). O relógio, com uma proteção circular metálica, tinha 4 faces e cada mostrador 1,5 metros de
diâmetro. No início foram colocados no tanque alguns exemplares de carpas coloridas, experiência que durou pouco
tempo, face ao “vandalismo” público.
Instalado num amplo terreno, dominou imponente a área, até a construção do Jardim das Cerejeiras no formato
atual, quando a estrutura foi demolida. O relógio depois de guardado por alguns anos, foi transferido para a
calçada em frente ao Terminal Rodoviário. Após uma das reformas posteriores do Terminal, foi retirado do local,
tendo destino incerto. Provavelmente descartado, levando junto um pedaço marcante da história da colônia
japonesa.

Acervo de Alberto Moriyama, postada por Helio Moriyama no Facebook - Grupo
Paraguaçu Paulista, em 20.09.2020.
Registro feito provavelmente logo após conclusão da obra, pois presentes trabalhadores que certamente a
edificaram. São percebidos entulhos de construção e tambor de armazenagem de água. Entre os presentes se
reconhece: Shigueo Yonashiro, Kazumi Kuroiwa, Taro Moriyama, Denshiro Saito, Joaquim Clemente (Joaquinzinho),
Hissagy Marubayashi, Minoru Kuroiwa, Kanshiro Yamana, Ujiro Nishiura, Toshio Oda.


Acervo de Umeko Marubayashi e desconhecido, respectivamente.
Ao fundo, do lado direito da coluna aparece a Casa Bandeirante de Kuroiwa & Filhos Ltda. Já se observa um
princípio de ajardinamento bem simples, precursor do futuro Jardim das Cerejeiras.
CONVITE PARA A POPULAÇÃO
A edição do dia 15 de junho da “A SEMANA” trazia um convite da COMISSÃO EXECUTIVA, dirigida à população da
cidade e que por interessante é transcrito abaixo, com a fidelidade possível e, portanto, com a formatação da
época, inclusive erros tipográficos.
CONVITE AO POVO
Transcorrendo no próximo dia 18, quarta feira, o Cinquentenário da Imigração Japonesa no Brasil, a Colônia
de Paraguaçu Paulista, pela sua Comissão Executiva de Festas, convida ao Povo para assistir ao programa
comemorativo organizado para aquele dia e que terá o seguinte desenvolvimento:
Às 8,00 horas: Missa em ação de graças na Igreja Matriz;
Às 9,30 horas: Desfile dos alunos do Colégio Paraguaçu;
Às 10,00 horas: Inauguração e doação ao Município, da Torre de Relógio erigida no Jardim das Cerejeiras;
Às 11,00 horas: Sessão Solene na Câmara Municipal
Às 14,00 horas: No Cine São Manuel: Exibição de filmes cinematográficos, sem cobrança de entrada
(Matinê)
Às 15,30 horas: Na Praça de Esportes do Colégio Paraguaçu: Jogo de futebol: Colégio versus Grêmio Estudantil
de Cornélio Procópio (Paraná);
Às 18,00 horas: No antigo Cine Carlos Gomes: Teatro e bailados Japonêses. Entrada livre.
Às 19,30 horas: Duas sessões cinematográficas, sem cobrança de ingresso, no Cine São Manuel.
Às 20,00 horas: Na quadra da C.C.E.: Jogos de Bola-ao-cesto feminino e masculino entre o Colégio Paraguaçu e
o Grêmio Estudantil de Cornélio Procópio. Entrada franca.
A Comissão, penhorada agradece a todos quantos cooperaram, direta e indiretamente, para a elaboração e
execução do programa acima.
Chama atenção a extensão e a variedade dos eventos programados e a grande participação do Colégio Paraguaçu.
Compreensível que não constasse nesse convite ao povo, a realização de um churrasco, mais restrito, que
aconteceu no Parque Infantil que era denominado, na época, de Dona Cota.
DIA 18 DE JUNHO DE 1958
INAUGURAÇÃO DA TORRE - RELÓGIO

Acervo do Museu e Arquivo Histórico Jornalista José Jorge Júnior. Pelo ângulo
da exposição, a foto foi feita da marquise do então Posto Esso.
Pela imagem é possível perceber a grande repercussão provocada pela inauguração. Autoridades, membros da colônia
e os convidados formam uma multidão, que ocupa totalmente o espaço do futuro Jardim das Cerejeiras. No último
plano da foto, ao fundo, aparece na esquina a Casa Moreni e, em seguida, a Casa Barra Funda (cor mais escura) do
senhor Ijima. Observando-se atentamente pode-se ver no centro, o palanque das autoridades, do lado direito e
próximo da torre.
Lembranças da Inauguração
“Retenho lembranças na memória, do monumento, horas antes da inauguração. Era então menino/adolescente– 12 anos.
Vem à mente a imagem da ampla área descampada, com a torre se erguendo majestosa. Descentralizada no espaço,
mais próxima da Avenida Brasil, tinha a enfeitá-la fitas coloridas que desciam da parte superior da coluna até o
solo. Os incontáveis troncos de madeira que eram amontoados horizontalmente em grupamentos ao acaso, de forma
desordenada, davam lugar a um único “tronco”, agora de concreto, vertical, que lá no alto marcava o tempo.”
(Takahiko Hashimoto – julho de 2021)

Acervo de Alberto Moriyama. Postada por Hélio Moriyama em 13.09.2020, no Grupo
Paraguaçu Paulista. Facebook.
Entre os presentes se reconhece: Missae Yuaso, Kanshiro Yamana, Otoishi Suzuki, Dona Deise Pereira Cassiano e
seu esposo Dr. Joaquim Carvalho Neves (parcialmente encoberto) – MM Juiz de Direito, Ujiro Nishiura, Kazumi
Kuroiwa (encoberto pelo pilar), Mário Lourenço Agostinho.
Aparentemente discursando, o senhor Shigueo Yonashiro não aparece entre os oradores relacionados na cobertura
jornalística realizada pela A Semana, na edição do dia 22 de junho de 1958, como pode ser visto na transcrição
mais ao final. Mais que creditar a um lapso do repórter, é crível imaginar que o sr. Shigueo fez o protocolo do
evento, conduzindo a cerimônia. Era talhado para essa missão por se expressar bem, ser comunicativo, ambientado
socialmente e ser um dos grandes líderes da colônia. Ademais, aparece lendo um documento e não lhe era
característico fazer um discurso desta forma.

Acervo de Alberto Moriyama. Postada por Hélio Moriyama em 13.09.2020, no Grupo
Paraguaçu Paulista. Facebook.
Entre os presentes se reconhece: Shigueo Yonashiro, Ujiro Nishiura, Dona Deise Pereira Cassiano e seu esposo Dr.
Joaquim Carvalho Neves – MM Juiz de Direito, Kazumi Kuroiwa, Cel. Juventino Pereira, Mário Lourenço
Agostinho.
Discursa o senhor Denshiro Saito, vice-presidente da Comissão Executiva e um dos mais destacados líderes da
Colônia.

Acervo de Alberto Moriyama. Postada por Hélio Moriyama em 13.09.2020, no Grupo
Paraguaçu Paulista. Facebook.
Entre os presentes se reconhece: Kazumi Kuroiwa, Kanshiro Yamana, Denshiro Saito, Toshio Oda, Dona Deise Pereira
Cassiano, Massao Yuassa, Cel. Juventino, Mário Lourenço Agostinho.
Discursa o MM Juiz de Direito da Comarca, Dr. Joaquim Carvalho Neves

Acervo de Etsuko Marubayashi
Entre os presentes se reconhece: Kanshiro Yamana, Denshiro Saito, Ujiro Nishiura, Dona Deise Pereira
Cassiano.
Discursa o senhor Hissagy Marubayashi, presidente da Comissão Executiva e, também, dos mais destacados líderes
da Colônia.
DIA 18 DE JUNHO DE 1958
DESFILE COMEMORATIVO
A representatividade da colônia japonesa pode ser avaliada quando da Comemoração dos 50 Anos do Início da
Imigração, pela homenagem do Colégio Paraguaçu, na forma de um desfile escolar festejando a data. Certamente
poucas colônias no Brasil foram assim privilegiadas.
Realizado na Avenida Paraguaçu, que na época ainda ostentava os postes da rede elétrica dividindo as mãos de
direção, foi prestigiado por uma multidão de espectadores.

Acervo de Umeko Marubayashi
Em primeiro plano, portando a bandeira do Japão, Emico Nakamori.
No prédio da esquerda, pessoas assistem ao desfile da sacada da Rádio Clube Marconi. O piso inferior era ocupado
pela Loja das Máquinas Vigorelli.

Acervo de Humihiro Nishizawa
Grupo exclusivo de alunos descendentes. Como pode ser verificado na foto anterior, formados em 3 fileiras. Na
ordem do desfile, este batalhão vem em sequência ao grupo feminino, que é fechado pela Kazuko Matsumoto - no
primeiro plano da foto.
Entre os alunos se reconhece, da esquerda para a direita: Yoshifumi Nishizawa - primeiro; Iwao Ozawa – o mais
alto; Adolfo Ichiki – terceiro; Hatiro Ozawa – sexto. Na outra fila: Wilson Ichiki - primeiro; Humihiro
Nishizawa – segundo; Jodi Yoshida – terceiro. Identificação das pessoas: Humihiro Nishizawa.

Acervo de Umeko Marubayashi

Acervo de Umeko Marubayashi
O belo prédio ao fundo - hoje (2021) Banco Itaú, na época era a sede do Banco Commercial.

Acervo de Etsuko Marubayashi

Acervo: Américo Moriyama. Postada por Hélio Moriyama em 07.02.2022, no Grupo
Paraguaçu Paulista. Facebook.
Apesar de estar incorretamente nomeada como sendo em 7 de Setembro, na verdade a foto representa o desfile
comemorativo da imigração, cujo final aconteceu na Avenida Brasil. Na época, assim como acontece até hoje, os
desfiles da Semana da Pátria percorriam exclusivamente a avenida Paraguaçu. Pode-se observar o mesmo tipo e cor
dos uniformes dos alunos, comparando-se com as fotos anteriores do acervo da Umeko Marubayashi. Também está
registrado no segundo plano, o palanque montado para a cerimônia de inauguração do relógio, com acabamento
frontal em tecido branco e faixa central presumidamente na cor vermelha.

Acervo de Humihiro Nishizawa. Avenida Brasil. 18.06.1958
Retrata momento diferente em relação à imagem anterior com destaque para os grupos feminino e masculino,
exclusivo de descendentes.
À frente e na esquerda, Emília Yuasso, guardando a Bandeira Japonesa, portada pela Emico Nakamori.
DIA 18 DE JUNHO DE 1958
APRESENTAÇÃO TEATRO E DE DANÇAS
Apesar da fotografia do acervo pessoal do Carlos Izumi Moriyama não ter data registrada e nem descrição do
momento, tendo como base o cálculo das idades aproximadas de algumas crianças com datas de nascimento
comprovadas (filhos de Yukiyasu Hashimoto), a conclusão é que o ano da imagem é 1958. Conhecendo-se ainda a
programação dos eventos comemorativos e considerando também os agradecimentos da COMISSÃO EXECUTIVA ao dr. Aldo
Monteiro Paes Leme pela cessão do antigo Cine Carlos Gomes, pode-se afirmar que a imagem se refere à
apresentação de danças e números típicos, dentro da sequência de festividades.
Pode-se notar, olhando atentamente a imagem, que os assentos estão colocados sem corredores visíveis de
circulação como seria natural em qualquer casa de espetáculo. Isto se explica pelo fato do cinema estar
desativado e assim as cadeiras retiradas. Certamente as acomodações foram improvisadas para o evento. Vale
lembrar que em 1957 havia sido inaugurado o Cine São Manoel.
Observa-se a predominância da colônia, acrescida pelas presenças de pessoas ilustres da comunidade
paraguaçuense: dr. Aldo Monteiro Paes Leme e esposa, estando o filho do casal José Enaldo Paes Leme sentado na
mesma fila um pouco adiante; sr. Isidoro Baptista – 1º Prefeito de Paraguaçu (1925–1930); dr. Joaquim Carvalho
Neves – MM Juiz de Direito e esposa; sr. Albino Bacchi e esposa Hilda Faria Bacchi; professor Osório Lemaire de
Morais, entre outros.

Acervo de Carlos Izumi Moriyama
Além dos citados anteriormente se reconhece: em primeiro plano à esquerda, o garoto sorridente é Franklin
(Juca), irmão do Carlos Izumi Moriyama. Aparecem ainda: Ken e Yoko Suzuki, Kakujiro Inamasu, Yukiyasu Hashimoto,
Mie Hashimoto, Suehiko Hashimoto, família de Katsumi Nagamatsu, garoto Hideo Ijima e seu avô.
COLUNA "CONVERSA COM O LEITOR"
Esse evento foi assunto da Coluna “Conversa com o Leitor”, assinado por João da Rua, que era o pseudônimo do
professor Osório Lemaire de Morais. Edição do dia 29 de junho de 1958, do Jornal “A SEMANA”.
“O cinquentenário, isto é, as comemorações do quinquagésimo aniversário da imigração japonêsa no
Brasil, têm
sido tão brilhantes que dão margem a comentemos por muitas semanas as deslumbrantes solenidades.
Assim meus caros, hoje falaremos sobre a extraordinária revista musical que membros da colônia japonêsa
de
Paraguaçu realizaram no salão do antigo Cine Carlos Gomes. Nós que a mais de vinte anos vivemos em
colônia
japonêsa conhecemos o valor da arte teatral no Japão, mas francamente confessamos aqui destas colunas
que
não esperavamos que esse espetáculo atingisse tão elevado grau artistico uma vez que sabiamos que o
mesmo
seria exclusivamente estrelado por amadores.
Saimos impressionadíssimos do Carlos Gomes! Creanças, moços, senhoras e senhores, lá estavam sob a
direção
desse extraordinário Toshio Oda, desmonstrando-nos o que pode fazer a gente de bôa vontade.
Dificil seria destacarmos os melhores números, pois todos pela precisão, capricho e arte com que foram
executados nos causaram profunda impressão.
Esse festival que visava unicamente comemorar uma data histórica para os japonêses e seus descendentes
que
aqui vivem, foi para todos nós uma verdadeira e sabia lição.
Irmanaram-se para maior brilho da festa, como já disse anteriormente, creanças, rapazes, moças, senhoras
e
cavalheiros, deixando de lado o preconceito bobo, que para nós seria barreira mesmo em uma comemoração
cívica!
Está de parabens esse conjunto de autênticos artistas que proporcionou ao grande público que para lá se
dirigiu, tão maravilhoso espetáculo.
Pena que, com o fechamento do antigo Cinema grande parte de suas poltronas tivesse sido vendida, e que a
acomodação para o público fosse tão precaria.
Meus amigos, eu tenho certeza que esse mesmo espetáculo com todo o esplendor de sua primeira
apresentação,
fosse reprisada no Clube Operário por exemplo, arrastaria para assisti-lo, talvez maior publico ainda
que no
dia 18.
Mais uma vez queremos apresentar desta coluna o nosso vibrante e sincero aplauso ao Sr. Oda pela
magnifica
apresentação do festival do dia do cinquentenário!
Bravos minha gente! Espetáculos, como esse têm que ser reapresentados!
João da Rua
(Respeitada grafia da época e os erros na composição tipográfica)
TRANSCRIÇÃO DA REPORTAGEM SOBRE AS COMEMORAÇÕES
A edição da “A SEMANA” do dia 22 de junho de 1958 era aberta pela manchete:
“Verdadeira Consagração Popular nos Festejos da Imigração Japonêsa”
O jornal, que era dirigido por José Jorge Júnior, relatava no corpo da matéria de primeira página o
seguinte:
“O êxito das comemorações do quinquagésimo aniversário da imigração japonêsa, foi alem das espectativas.
Realmente, para satisfação de brasileiros e japoneses, as festividades contaram com o integral apoio da
população que compareceu em massa às solenidades realizadas. Abrindo o programa comemorativo, desfilaram
os alunos do Colégio Paraguaçu, com o brilhantismo que lhe é peculiar, e dando um colorido singular à
pesseata, com a enorme e multicor quantidade de bandeiras de todas as partes.
O ato solene da entrega da torre-relógio ao Município, oferta da colônia japonêsa, foi acontecimento
notavel ao qual o povo e as autoridades locais prestigiaram decididamente. Na ocasião vários moradores
fizeram-se ouvir. Em nome da colônia falou o Sr. Kazume Kuroiwa historiando a imigração japonêsa para o
Brasil e manifestando a gratidão dela pelo acolhimento recebido nesta grande Pátria. A seguir foi a
torre inaugurada pelo Sr. Higa, imigrante da primeira hora. Pelo Prefeito foi a dádiva recebida e em
agradecimento falou o Presidente da Câmara. Falaram, ainda, a Profa. Hilda Faria Bacchi, em discurso que
publicamos na segunda página, o Sr. Deishiro Saito, Sr. Mario Matsukura e o MM. Juiz Dr. Joaquim
Carvalho Neves, em brilhante oração, e, finalmente, o Presidente da Comissão de festejos, Sr. Hissagy
Marubayashi.
Após a inauguração da torre, houve sessão solene na Câmara Municipal, em homenagem aos japonêses
imigrantes, falando pela Edilidade, o vereador Emiliano V. de Carvalho. Usaram, também, da palavra nessa
ocasião, os srs. Vereadores Jayme Monteiro, Camiko Kido e Leonido R. Marques. Agradeceu em nome da
Colônia o Sr. Kazume Kuroiwa, encerrando a solenidade o Sr. José Jorge Junior, presidente da Câmara.
Em seguida farto churrasco foi oferecido ao público, no Parque Infantil. Mais tarde, no Cine São Manuel,
várias sessões cinematográficas foram oferecidas gratuitamente ao povoe, no antigo Cine Carlos Gomes,
realizou-se longo espetáculo com motivos japonêses.”
(Respeitada grafia da época e os erros na composição tipográfica, como no caso
do nome do sr. Denshiro Saito)
QUEM FOI HIGASAN
“Aqui em nossa terra o ponto alto dessa festa foi, sem dúvida, a doação feita pela colônia ao
Município da magnifica torre e relógio no centro do futuro jardim das Cerejeiras.
Com que emoção brasileiros e japonêses viram o velho Higa San, o único imigrante de 1908 aqui existente,
descerrar a cortina que cobria o bronze no qual se perpetua a doação a nossa terra de tão esplendorosa
jóia.”
Assim descrevia o momento histórico, João da Rua em sua coluna de 22 de junho.
Infelizmente o mesmo personagem voltava a ser assunto no mesmo espaço, decorrido menos de 1 mês, agora no
entanto, por uma triste razão.
“Há poucos dias, isto é, em um dos meus modestos comentários, com entusiasmo falei das magnificas
festas com as quais a colônia japonesa de Paraguaçu Paulista comemorou o cinquentenario da imigração
niponica em nosso país.
Naquele dia dezoito de junho lá estava no palanque juntamente com autoridades e convidados, um velhinho
chamado senhor Higa, que representava a primeira leva de imigrantes aqui chegados.
A êle coube retirar a cortina que cobria a placa comemorativa da grande data e da doação da colônia ao
município.
A êle foi dirigida a maior parte das homenagens.
Como estava satisfeito o velho o velho Higa! De seu rosto irradiava uma alegria e um orgulho, que dava
gosto a gente ver!
Pudéra meus caros, era êle o único representante daquelas cento e setenta e tantas famílias que naquela
manhã de vinte e oito de abril de mil novecentos e oito deixavam a terra das cerejeiras, trazendo no
coração, a saudade da patria que deixavam, e a esperança de encontrar na nova terra um futuro melhor!
O velho Higa aqui veio depois de alguns anos de estadia no Brasil. Encontrou aqui no municipio de
Paraguaçu a terra ideal para o trabalho. Aqui lutou diariamente de sol a sol, e as vezes até durante as
noites enluaradas deste meu Brasil!
Cultivou a terra que a alguns anos o acolheu de braços abertos!
Naquele dezoito de junho passado seus olhos extasiados viram seus patricios e descendentes revivendo
dias felizes do Japão distante, quando magnificamente levaram aquela revista musical no Cine Carlos
Gomes!
Pois bem meus caros, o coração do velho Higa, não suportou o impacto de tamanha emoção um e dia destes,
para tristeza de todos seus patrícios e nossa tambem, faleceu o velho Higa, único sobrevivente residente
entre nós daquela leva de imigrantes que ha cinquenta anos o Kassado Maru trouxe em seu bojo!
O coração do velho Higa não suportou a grande emoção de ouvir em praça pública uma banda de musica
executar o seu tão querido “Kimigaiô”.
E agora quem fôr ao cemiterio local, a esquerda de quem entra, verá uma laje de cimento sob a qual
repousa o velho Higa, que teve a felicidade de assistir as comemorações do cinquentenario da imigração
japonesa no Brasil, da qual êle foi um dos membros.
Lá dorme o sono eterno o velho Higa que no dezoito de junho com os olhos rasos d’agua disse:
“Arigatô gasai massu Brasil”
João da Rua
(Edição de “A SEMANA” do dia 13 de julho de 1958)
O FORMATO ATUAL DO JARDIM DAS CEREJEIRAS
No governo do prefeito Dr. Mitsuo Marubayashi - 1969/1972, foi feita uma grande reforma que transformou o espaço
no formato atual. Foi contratado um paisagista japonês, senhor Mori, que planejou e construiu o então denominado
Jardim Japonês – Jardim das Cerejeiras, até hoje, uns dos postais turísticos de Paraguaçu. Colaboraram com
ideias e sugestões além de Mitsuo Marubayashi, os senhores Denshiro Saito, Shigueo Yonashiro, Hissagy
Marubayashi, Taro Moriyama e outros líderes.
RESTAURAÇÃO
O Jardim das Cerejeiras passou por restaurações, entre elas, a ocorrida no segundo mandato do prefeito Edivaldo Hassegawa.

Acervo: Takahiko Hashimoto – outubro/2021

Acervo: Takahiko Hashimoto – outubro/2021
Ao fundo pode-se vislumbrar o pagode instalado em 2008, como marco comemorativo dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil.

Acervo: Takahiko Hashimoto – outubro/2021
Jardim das Cerejeiras – Florada de Ipê Roxo

Foto: Facebook. Postado por Katia Mantovani
O Jardim das Cerejeiras passou pela última revitalização em 2019, na administração da senhora Almira Garms.

Foto: Internet - site i7 notícias.