Atividades Econômicas na Cidade
Texto de Takahiko Hashimoto e Mirian Marubayashi Hidalgo
Se a princípio os imigrantes fixaram-se na zona rural, não demorou muito para que a cidade
também passasse a receber os japoneses.
A partir de 1928, apenas 3 (três) anos após iniciado o processo migratório no campo, a
primeira família citadina já estava instalada. Uma revista da década de 60, de um jornal
nacional em língua japonesa mostra que, em 1933, 5(cinco) famílias já residiam em zona
urbana, a saber: família Matsukura – a partir de 1928; família Yamada - a partir de 1828;
família Imakawa – a partir de 1931; Suehiko Hashimoto – a partir de 1931; e família Sasaki
– a partir de1932. Dos relacionados, Tokow Yamada mantinha residência na colônia Bunka,
mas possivelmente acabou sendo listado porque montara, informalmente no período
descrito, uma sucursal do escritório relacionado com a comercialização de terras da Colônia
Bunka.
Uma publicação do jornal A NOVA COMARCA, traz um Edital da “Collectoria Estadual de
Paraguassú”, datado de 12 de março de 1.929, informando sobre os valores de impostos
relativos ao exercício de 1.929. Entre os contribuintes, na relação de comerciantes, constam
os nomes de Shig Oski Komay - rua 13 de Maio e de Yoshio Matsukura - rua 7 de
Setembro. Certamente o de Shig Oski Komay, grafado de forma errada. Provavelmente o
correto seria Shigueyoski Komay.
Cotejando as duas fontes, chama a atenção a presença de Shigueyoski Komay na relação da
“Collectoria Estadual de Paraguassú” - 1929 e sua ausência na dos moradores em 1933,
informado pela revista em japonês. A explicação é dada pela edição de 5 de julho de 1931,
do jornal A COMARCA, em que o prefeito Ary Assumpção dá ciência dos impostos do ano
e na lista não consta mais o nome do citado comerciante, indicando ter se mudado da cidade.
Se, apesar de ter deixado a atividade comercial ainda fosse morador, certamente teria o seu
nome entre os elencados pela revista.
Importante ressaltar que a data de fixação na cidade não significa a chegada ao município.
Pode ter havido anterior escala na zona rural, como é o caso de Suehiko Hashimoto que já
morava, em 1926, na comunidade Taiyo - Água da Lebre, período em que solteiro,
acompanhava a família do irmão mais velho Matataro Hashimoto, com quem chegara ao
Brasil em 1913.
Outro exemplo desta escala é o de Issuke Sasaki, pai do farmacêutico e tenista Michiaki
Sasaki. Morando anteriormente em São Simão, na região da Mogiana, ele mudou com a sua
família para a fazenda Bunka em 1930 (Roberto Carlos Cação, p. 261). Em 1932, transferiu-
se para a cidade abrindo um armazém de secos e molhados, que mais tarde passou a ter um
setor de farmácia. Conforme registro no jornal “A COMARCA”, neste ano - 1932, o filho
Mitiaki estava matriculado no 1º Ano Masculino do Grupo Escolar, tendo como professora
Maria Paula Gambier.
A partir dos pioneiros, no decorrer do tempo, dezenas de outros imigrantes e descendentes
passaram a morar e desenvolver atividades econômicas na cidade. Atuando em várias áreas
do comércio, indústria e serviços, representaram um segmento significativo para o
desenvolvimento do município.
Um dos Pioneiros

Um dia de trabalho na Farmácia Noronha
A Farmácia Noronha funcionava na Avenida Paraguaçu, nº 47. Tinha como proprietário o
senhor Massao Yuaso, sucedido após a sua morte pelo filho Fumio Yuaso. No local está
instalada atualmente a empresa Kombat Center.
FARMACIA NORONHA. Estão reconhecidos: Massao Yuaso - de gravata escura, Genésio
Tranquilino de Souza - de gravata com listas, Fumio Yuaso e o último, Uichi Okumura.
Acervo de Gentil
Okumura. Postada por ele no Facebook - Grupo Paraguaçu Paulista, em
11.11.2020.
Cooperativas Agrícolas
De empreendimento coletivo que não pode deixar de ser trazido à luz e talvez o mais
importante seja a constituição da Cooperativa Agrícola Algodoeira, organizada entre outros,
por Tokow Yamada, seu primeiro presidente. Representou a concretização do pensamento
extremamente avançado para a época, que era o conceito de cooperativismo.
Infelizmente, com o advento da 2ª Guerra Mundial e a entrada do Brasil no conflito - em
1942, todo o patrimônio da Cooperativa foi confiscado pelo governo central. Apesar de não
se ter encontrado registros formais do ocorrido pós-guerra, relatos orais de membros mais
antigos da colônia descrevem que a devolução nunca ocorreu. As instalações eram
localizadas na Avenida Brasil, onde atualmente funciona uma unidade da Prefeitura
Municipal. Ainda hoje, é possível observar que a fachada segue o padrão clássico das
plantas industriais do século passado.
Instalações da antiga Cooperativa Agrícola Algodoeira, que reunia produtores
japoneses da região. 2024.
Acervo: Takahiko Hashimoto
Outras duas cooperativas agrícolas ligadas aos japoneses funcionaram no município, mas no
caso, apenas como filiais – Cooperativa Agrícola Bandeirante e Cooperativa Agrícola Sul-
Brasil.
Inauguração da Cooperativa Agrícola Bandeirante, filial de Paraguaçu
Paulista.
Acervo de Hélio Moriyama. Local: rua 7 de Setembro esquina com a rua Nilo Peçanha
Instalações da Cooperativa Central Agrícola Sul-Brasil, filial de Paraguaçu
Paulista. Na foto,
segundo Humihiro Nishizawa, aparecem os senhores: Moriyama, Otoichi Suziki, Machikata,
Abe, Massao Kariya (1º presidente) e, no centro, sentado de terno preto, o presidente da
cooperativa, senhor Goitiro Nakazawa. Local: rua Pedro de Toledo.
Acervo de Hélio
Moriyama
Posteriormente, a sede da cooperativa foi transferida para a Barra Funda, rua Gago
Coutinho, atualmente denominada Manoel Antônio de Souza.
Sede da Cooperativa Central Agrícola Sul-Brasil, filial de Paraguaçu Paulista.
Local: Rua Gago Coutinho - Barra Funda. 1964.
Foto: Paulista Shinbun
Instituição bancária e setor secundário da economia
Merece ainda destaque, a agência da Casa Bancária BRATAC, criada pelos imigrantes
japoneses e com sucursal instalada em Paraguaçu Paulista, no ano de 1939. Essa instituição
passou, em 1940, à denominação de Banco América do Sul S.A. Era localizada na Rua 7 de
Setembro perto do Bar OK e, posteriormente, na esquina da Rua 7 de Setembro com a Rua Pedro de Toledo.
No setor secundário da economia, a colônia também deu a sua contribuição. Ainda que já
existissem na década de 40, casos de atividade industrial na zona rural, como a extração de
óleo de menta e a fábrica de farinha de mandioca, citada por Humihiro Nishizawa, no texto
sobre a Colônia Bunka, compreensivamente, foi na cidade que o ramo prosperou.
Um dos empresários mais ativos foi, provavelmente, Hissagy Marubayashi. Além de atuar
no comércio de cereais, com representação em Quatá e São Paulo, e no de veículos, como
concessionário em Paraguaçu Paulista da Mercedes Benz, atuou fortemente na área de
transformação. Teve máquina de benefício de café, de benefício de arroz, olaria e fábrica de
vassoura “mágica” ou “feiticeira”.
Setor de Serviços
Dentro do setor de serviços no município, a comunicação teve no Dr. Mitsuo Marubayashi o
seu mais importante empreendedor. Em uma época em que a internet e redes sociais sequer
eram imaginadas, a Gráfica e o Jornal A SEMANA e a Rádio Marconi monopolizavam as
informações.
Segundo o Prof. Osorio Lemaire de Morais, em seu livro O Contador de Histórias, quando
retornou a Paraguaçu Paulista, recém-formado, em 1959, Mitsuo Marubayashi comprou as
tipografias Modelo, do Garibaldi Gobbi, e o Jornal A Semana, do Zeca Jorge, reunindo
ambos os empreendimentos no espaçoso prédio da esquina das ruas Pedro de Toledo com
XV de Novembro. A grande tipografia, agora denominada Gráfica A Semana cresceu e se
expandiu com filiais em Presidente Prudente, Garça, Dourados e Marilia que atendiam todo
o norte do Paraná, sul de Mato Grosso, sul de Minas Gerais, regiões Sorocabana e Paulista.
A progressista indústria empregava, entre tipógrafos, impressores, moças da secção de
acabamento, viajantes, motoristas e pessoal de escritório, cerca de 60 pessoas. Com várias
impressoras automáticas e comuns, as máquinas rodavam em dois turnos confeccionando
impressos como talonários, cartazes, folhetos de propaganda, entre outros. Em 1984, vende a
Gráfica A Semana para seus colaboradores gerentes, respectivamente de Paraguaçu Paulista,
Presidente Prudente e Dourados. Pouco antes já havia transferido o controle da filial de
Garça para seu colaborador gerente e pouco depois se desfaz da filial de Marilia.
Na tipografia era impresso o Jornal A SEMANA, edição semanal. Este apresentava as
notícias da semana, além de bons relatos esportivos e da vida social da cidade. Contava com
as colunas de cronistas como João da Rua (Osorio Lemaire de Morais), Garimpeiro
(Henrique Cesar Rodrigues) e o Prof. Saturnino Gomes da Cruz que escrevia em seu próprio
nome ou utilizando os pseudônimos Dolores Silvana, Dr. Sorlen Croix ou Charles Donay,
conforme o tema abordado. O diretor do jornal, na maior parte do tempo, foi o Prof. Osorio
Lemaire de Morais. Era uma época em que imprimir um jornal era um trabalho artesanal,
fora de série! Com paciência de Jó, era necessário juntar, semanalmente, tipos pequeninos
para formar palavras, depois frases, artigos e depois páginas. Na sequência, a impressão dos
volumes tipografados. Todos os sábados, as funcionárias cuidadosamente intercalavam
páginas e dobravam o jornal. Nas manhãs de domingo, os meninos levavam o jornal para
muitas centenas de lares. Em 1984, Mitsuo Marubayashi transferiu o empreendimento para o
Prof. Osorio Lemaire de Morais. Dentre os diversos jornais da cidade nos diferentes
períodos, A Semana mantém o recorde de tempo de circulação na cidade, ultrapassando a
marca de 30 anos.
Prédio na esquina da rua XV de novembro com a rua Pedro de Toledo, onde se
localizavam a Gráfica e Jornal A Semana, desde 1959, e a Rádio Clube Marconi, a partir de 1969.
Acervo: Mirian Marubayashi Hidalgo
A Rádio Clube Marconi, ZYQ6, surgia em 15 de agosto de 1947, de propriedade da Rede
Piratininga. Segundo Anizio Canola, em seu livro No meu tempo... em Paraguaçu Paulista,
sua sede se localizava na Avenida Paraguaçu, esquina com a XV de novembro, na sobreloja
das Lojas Vigorelli. Em 30 de junho de 1960, se mudou para a Rua Irmã Gomes, mais
exatamente no prédio da Congregação Mariana. Nesse endereço, a Marconi foi vitimada por
um incêndio de grandes proporções, por volta de 1962. As chamas devoraram
completamente suas aparelhagens.
Da Rede Piratininga, a Rádio Marconi passou, em 1968, para as mãos de Mitsuo
Marubayashi. As atividades foram reiniciadas em um estúdio provisório no mesmo local
onde se encontrava a torre de transmissão, à rua Siqueira Campos. Em 1969, transferiu-se
para sua sede definitiva na rua Pedro de Toledo, no mesmo complexo da A Semana.
Inauguração das instalações da Rádio Clube Marconi, ZWQ6, à rua Pedro de Toledo.
1969.
Acervo: Mirian Marubayashi Hidalgo
Vários profissionais de destaque nacional passaram ou até mesmo iniciaram sua carreira na
emissora. O jornalista e radialista Joseval Peixoto trabalhou na Rádio Marconi no início da
carreira e, posteriormente, atuou/atua na Rádio Jovem Pan e no SBT. Ricardo Spinosa
começou sua história aos 14 anos na Rádio Marconi, onde alguns anos depois estreou e
chegou a gerente, em 1962. Após passagem por Franca e Mogi das Cruzes, chegou em
Londrina em 1967, onde adquiriu a rádio Paiquerê, a primeira em Londrina a transmitir em
Frequência Modulada (FM). O jornalista Álvaro Loureiro, que começou como estagiário na
Marconi, em 2004, é hoje editor e apresentador na TV TEM de São José do Rio Preto.
A emissora também projetou talentos da música como foi o caso das Irmãs Galvão,
renomada dupla sertaneja. No ano de 1947, a ourinhense Mary, com sete anos de idade, e a
palmitalense Marilene, com cinco anos, iniciaram a carreira se apresentando em programas
de auditório na Rádio Clube Marconi, em um programa comandado por Sidney Caldini.
Também Cida Moreira, moradora da cidade em 1957, era expressão de talento musical
brotando aos 6 anos em uma era vigorosa apresentação na rádio paraguaçuense.
Programas de auditório estavam sempre lotados e a Rádio Marconi contribuiu, ativamente,
para a divulgação das notícias políticas, sociais, econômicas, esportistas e outras de interesse
da população. Fez ainda parte do cotidiano dos paraguaçuenses pelas atividades culturais e
de lazer que proporcionava.
O falecimento de Mitsuo Marubayashi, em novembro de 2007, acabou acelerando o
processo de venda da emissora.
BANCOS DE PROPAGANDA - PRAÇA DA MATRIZ
Alguns bancos com propaganda de empreendedores ainda sobrevivem ao tempo. Quem
passar pela Praça da Igreja Matriz poderá conhecer um pouco da história econômica da
colônia. Os bancos da Farmácia Santa Terezinha e do ex-aluno Dr. Mitsuo Marubayashi
podem ser encontrados no Campus da ESAPP. Todos os registros fotográficos foram feitos
pelo Takahiko Hashimoto.
















ALGUMAS PROPAGANDAS PUBLICADAS NOS JORNAIS DA ÉPOCA
Jornal A COMARCA - 02.02.1952
Jornal A Semana - 04.12.1955
Jornal A Semana - 11.12.1955
Jornal A SEMANA - 04.12.1955
Jornal A SEMANA - 12.12.1957
Jornal A SEMANA - 12.12.1957
Jornal A SEMANA - 04.12.1955
Jornal A Semana - 13.11.1955