Agropecuária
Texto de Takahiko Hashimoto
No início do século 20 o Brasil era um país rural. A necessidade de mão de obra para o desenvolvimento da sua
agricultura serviu de estímulo para que fossem recebidos estrangeiros de várias nacionalidades.
Desde o princípio, a influência japonesa no desenvolvimento agropecuário de Paraguaçu Paulista foi além da
participação no processo produtivo. No dia 10 de setembro de 1931, em uma reunião nos salões do Clube
Paraguassuense, era fundada a Associação Municipal dos Lavradores de Paraguassú, tendo como presidente Adolpho
Magnanelli. Mostrando a importância e o prestígio da colônia era também eleito Tokow Yamada, para o cargo de 1º
vice-presidente. Assim, pode-se considerar que a história da agricultura do município se confunde, desde o
início, com a própria história dos imigrantes japoneses que vieram para ajudar o desenvolvimento da cidade. Por
esta razão, os relatos que se seguem, muitas vezes sem fazer referências diretas aos imigrantes japoneses, na
verdade, tratam das histórias de cada um deles.
CICLO DO CAFÉ
“Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você estará com a História em suas mãos”

História que se inicia na antiguidade, sendo as primeiras linhas relatadas de forma imprecisa, como se
vislumbradas através da nuvem de vapor que sobe de uma xícara de café fumegante, formando imagens embaçadas,
teimando em se transformar em uma lenda apenas.
História que se desenvolve entrelaçada com a própria História da Humanidade, misturando capítulos envolvendo
economia, política, religião, influência nos costumes sociais, desenvolvimento das artes e até intrigas e
contravenções como o contrabando. Por vezes, adquire cores românticas, embalando a música, a literatura ou
outras formas culturais. A história mostra também o papel de agregador social do café.
História que desembarca no norte do Brasil, em 1727, e relata que o café passa a ser o principal produto
econômico, alavancando um novo ciclo de desenvolvimento do País.
História que demonstra que o café ajudou a conquistar o Novo Oeste Paulista motivando a chegada dos
desbravadores na região, como José Theodoro de Souza que lançou as bases das três localidades conhecidas
atualmente como São Pedro do Turvo, em 1867, Campos Novos Paulista, em 1868, e Conceição de Monte Alegre, em
1873, ano em que ele fez a doação de 193 hectares para a fundação deste povoado.
De acordo com os registros, José Theodoro de Souza foi o posseiro mais antigo da região. Em 1871, vendeu terras
situadas no atual Distrito de Conceição de Monte Alegre a José Antônio de Paiva e a Manoel Pereira Alvim.
(http://cidades.ibge.gov.br/sp/paraguacu-paulista/historico). Segundo José Jorge Júnior (2019, p.54), a área
total era de 25.000 alqueires e ocupava toda a vertente do Rio São Matheus.
Importante lembrar que tanto José Theodoro de Souza, como José Antônio de Paiva e Manoel Pereira Alvim,
considerados os pioneiros de Conceição de Monte Alegre - berço de Paraguaçu Paulista, tinham como origem o sul
de Minas Gerais. Região em que a cafeicultura se infiltrou no final do século XVIII, através do limite com a
Zona da Mata, pelos municípios de Aiuruoca, Jacuí e Baependi. No início do século XIX a expansão avançou pelas
demais localidades do sul de Minas e, portanto, a cultura já fazia parte do cotidiano dos mineiros que partiram
para o sertão paulista. Assim, paralelamente com a preocupação na lavra da terra para os produtos de
subsistência, a busca pelo desenvolvimento econômico passava pela pecuária de corte, suinocultura e pela
cafeicultura. Isso explica o porquê de, em 1886, a Alta Sorocabana deixar de ter apenas um traço como registro
no quadro de produção de café no Estado de São Paulo. Ainda que com porcentual insignificante, o produto passava
a marcar presença nas estatísticas.

Pode-se observar pelo Quadro que, no início da segunda metade do século XIX, nota-se a expansão para o oeste,
até Campinas, e depois, com o passar dos anos, caminhando cada vez mais para o oeste do estado - Mogiana,
Paulista, Araraquarense, Noroeste e Alta Sorocabana.
O desenvolvimento da lavoura nessa nova fronteira permitiu que, em 1890, o estado de São Paulo se tornasse o
maior produtor nacional. O avanço se caracterizou pela adaptação ao clima, disponibilidade de terras férteis,
melhor tecnologia empregada, ter se desenvolvido quando a mão de obra escrava já estava sendo descartada,
desenvolvimento de uma estrutura de transporte da produção mais eficiente e de menor ônus. Condições bem
diferentes em relação às encontradas no ciclo que se encerrava no Vale do Paraíba, trazendo a criação de novos
negócios, novas indústrias, expansão dos bancos, instalação de ferrovias e rodovias e o início da utilização de
imigrantes na exploração.
O início do café em Paraguaçu Paulista
A entrada do café no então sertão paulista se deu com a chegada dos desbravadores, como se pode ler em IBGE, em
referência a Manoel Pereira Alvim:
“Este último, tendo-se estabelecido às margens do Córrego Bugio, na cabeceira do Ribeirão São Mateus, aí
plantou
cerca de 2000 pés de café, fator indubitável da fixação.”
(http://cidades.ibge.gov.br/sp/paraguacu-paulista/historico)
A história seguiu seu curso e, de acordo com o site da Prefeitura de Paraguaçu Paulista,
”Moita Bonita era o nome do vilarejo que ficava situado nas proximidades de um pequeno bosque. Ali, a partir
de
1910, Domingos Paulino Vieira – conhecido como Minguta – realizou o loteamento de suas terras, localizadas
em
torno da área onde seria construída a estação da estrada de ferro, local que ficava distante cerca de seis
quilômetros do povoado de Conceição de Monte Alegre.” (htpp://eparaguacu.sp.gov.br/cidade)
Na versão do escritor Zeca Jorge - José Jorge Júnior (2019 p. 99), a venda dos terrenos só começou após a
conclusão do prédio destinado à Estação. Na ocasião “...Domingos Paulino Vieira promoveu o loteamento dos
primeiros dois quarteirões que ladeiam a avenida a partir do pátio fronteiriço da ferrovia.”
A implantação de Estrada de Ferro Sorocabana que inaugurou, em 23 de março de 1916, a Estação Paraguassu,
representou o grande impulso para o desenvolvimento da região e da exploração cafeeira.
O desenvolvimento da cultura cafeeira em Paraguaçu Paulista e a importante participação da Colônia
Japonesa
A importância do café no processo migratório Japão - Brasil pode ser percebida nas palavras da autora Arlinda
Rocha Nogueira - A IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA A LAVOURA CAFEEIRA PAULISTA (1908 - 1922, p.204), quando afirma que
“A lavoura de café para o japonês funcionou como ímã para sua entrada no Estado de São Paulo; serviu de
cadinho
para sua adaptação à nova terra e forneceu os recursos financeiros indispensáveis à sua
independência.”
A frase acima pode também ser referida no caso específico de Paraguaçu Paulista. Os imigrantes japoneses
ajudaram no desenvolvimento da cultura no município, a partir da segunda metade da década de 20 até meados da
década de 30, quando o produto deixou de ser prioritário, com a chegada do algodão. A partir de então, os
cafezais passaram a conviver, minoritariamente, com o chamado “ouro branco”, que se transformou na locomotiva da
economia regional.
Em 1925 e após, pelos trilhos da Sorocabana, chegaram os imigrantes japoneses. Parte deles provenientes da
América do Norte. A outra parte foi a representada por migrantes que tinham se fixado, inicialmente, em outras
regiões do estado ou mesmo em estados vizinhos como o Paraná e atual Mato Grosso do Sul. Desses, a maioria,
capitalizados após anos de trabalho como colonos, meeiros ou arrendatários nas fazendas de café, vieram como
proprietários, após aquisição de áreas rurais, voltadas para a exploração cafeeira.

Foto cedida por José Carlos Daltozo. Álbum de João Gomes Martins.
A
vegetação
nativa era derrubada e, depois da roçada, feita a queimada e, em seguida, o plantio do cafezal em meio
aos troncos remanescentes.

A foto mostra ramos de café e a produção da cultura implantada em
dezembro de 1922. Certamente representa uma peça primitiva de propaganda mercadológica, demonstrando as
virtudes e potencialidades das terras da denominada “Fazenda Pedras e Barreiro”, da “Colonização
Martins”. de propriedade de João Gomes Martins. Dessa área foram adquiridos, pelos japoneses, os 2.000
alqueires que, divididos em glebas menores, formaram a Fazenda ou Colônia Bunka, um dos núcleos
pioneiros da imigração em Paraguaçu Paulista. A legenda inferior é explicativa: “5 photographias de
productos colhidos em terras da Colonização: café, canna de assucar, milho, arroz, fumo, juta,
mandioca.” Portanto, é uma das cinco fotografias que alardeavam as qualidades das terras da Colonização
Martins.
Foto: cedida por José Carlos Daltozo. Álbum de João Gomes Martins

Foto cedida por José Carlos Daltozo. Álbum de João Gomes Martins
Outro local em que os imigrantes formaram um grande núcleo foi o denominado” Água da Lebre”, conhecido como
Colônia Taiyo, onde também a cultura implantada era o café.
A foto abaixo registra um grupo de visitantes na Água da Lebre, provavelmente compradores de terra, conhecendo
área de cafezal do local. Entre os retratados percebe-se alguns japoneses, provavelmente os mesmos da imagem
anterior, de três pessoas posando na plataforma da estação ferroviária. Como curiosidade, pode ser notado
plantio com espaçamento largo e três a quatro plantas por cova, como era a tradição à época. Naquele tempo, o
plantio era feito com o lançamento de três a cinco sementes de café, diretamente na cova. Por esta razão, o
desenvolvimento da planta era mais lento e, consequentemente, o início da produção. Hoje, o cafezal é
constituído com o plantio de mudas formadas em viveiros, o que permite aceleração da fase inicial de crescimento
da planta e a primeira colheita ocorrendo precocemente.

Foto cedida por José Carlos Daltozo. Álbum de João Gomes Martins

Foto: reprodução de acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil,
contido no livro Retratos da Infância na Imigração Japonesa ao Brasil - Monica Musatti Cytrinowicz e
Roney Cytrinowicz.
A fotografia mostra um flagrante do cotidiano da vida de uma família de imigrantes da Colônia Taiyo, localizada
no bairro conhecido como Água da Lebre. Dois adultos e duas crianças posam, olhando para a câmera, com rodos na
mão, provavelmente depois de “amontoar o café”, após um dia de exposição do produto ao sol. À direita da foto,
um motorista ao lado do seu caminhão, observa.
Além dos dois locais citados - Bunka e Água da Lebre, outro grande centro de concentração nipônica foi o núcleo
do Ribeirão Grande.
O quadro abaixo mostra a importância relativa da produção de “Paraguassu” em relação a outros municípios da Alta
Sorocabana ao longo do tempo.

Em relação aos dados relativos ao ano de 1920 é necessário pontuar que Maracaí, Paraguassu e Quatá pertenciam ao
então município de Conceição de Monte Alegre. Com produção incipiente no ano citado, a expansão da cafeicultura
na região de Paraguaçu Paulista ocorre a partir do quarto final da década de 1920. Coincide, portanto, com o
início da imigração japonesa para a região.
Um quadro compilado por GARMS (1977) traz dados mais detalhados da produção de café entre os anos de 30/31 e
40.

Considerando apenas Paraguaçu Paulista, a partir de 32/33 quando a colheita foi de 196.025 arrobas, a produção
se manteve relativamente constante até 1940. A variação de um ano a outro pode ter como causa provável a
característica do ciclo bienal da cultura.
Aqui, poderá surgir uma dúvida ao leitor mais atento: se a crise de 29 afetou drasticamente a economia cafeeira,
como se explica que a produção se manteve, ao longo da década seguinte, em toda a Alta Sorocabana, chegando a
produzir 1.858.665 arrobas em 1940?
Primeiramente é preciso lembrar que, diferentemente das culturas anuais em que a má remuneração ao produto por
excesso de oferta ou pouca demanda geralmente significa menor produção no ano seguinte por redução de área, no
caso de uma cultura perene isso evidentemente não ocorre. Além disso, como pode ser visto no Quadro 1, a
expansão da cultura se deu mais tardiamente em relação às outras regiões. Assim, no extremo oeste paulista, as
lavouras eram novas em 1929, na plena produção, em terras ainda férteis, não exauridas. A crise ocorreu pela
queda violenta dos preços internacionais. A recessão provocada pela quebra da Bolsa de Nova York refletiu na
grande redução das importações americanas e em um momento em que os estoques brasileiros eram elevados. Em 1928,
a safra foi muito grande e segundo Anibal de Almeida Fernandes:
“Para piorar o contexto, em outubro de 1929 os fazendeiros ainda estavam exportando a safra de 1927!! E, a
safra
de 1928 estava toda ela retida nos armazéns de valorização de café que eram gerenciados pelo Instituto do
Café que fora criado em São Paulo, em 1924, para apoiar os fazendeiros paulistas com auxílio financeiro do
governo federal.”
A equação da baixa demanda e excesso de oferta fez os preços caírem, ainda que o governo brasileiro tenha
interferido mediante a compra e queima de milhões de sacas de café, dando algum fôlego ao setor.
Como consequência, a cultura do algodão, até então pouco expressiva, passou a ganhar terreno e a preferência dos
agricultores.
CICLO DO ALGODÃO
O autor José Jorge Júnior (2019, p. 151) aponta que, em Paraguaçu Paulista, com o declínio do café se inicia o
ciclo do algodão que vai de 1931 a 1945, com o auge produtivo sendo atingido em 1944. Esse período representou
uma fase de grande prosperidade para o município. Armando Garms (1977, p.27), dá maiores detalhes na sua
dissertação de mestrado, mostrando que nos primeiros anos da década de 30, a produção ainda era muito pequena,
aumentando substancialmente a partir de 1934/35. Dados extraídos deste trabalho mostram a evolução.

O Quadro mostra que o grande salto ocorreu entre os anos de 1933 e 1934/35. A partir de então, a cada ano, o
crescimento foi exponencial.
A estatística da Estação Paragussú - Estrada de Ferro Sorocabana mostrava que, em 1934, foram despachados
2.240.334 quilos de algodão. Até então, a produção era adquirida por escritórios representantes de empresas que
tinham unidades de beneficiamento em outras localidades e despachada pela ferrovia. Um dos representantes
anunciava assim, em A COMARCA, edição de 29.07.1932:

Em 1934 talvez tenha sido o último ano em que a movimentação pela estrada de ferro Sorocabana foi intensa. A
partir de então, houve queda acentuada nesses números pois, em 1935 era inaugurada a Algodoeira Paraguassú Ltda,
constituída por duas firmas: a de L. Pagano e a dos Irmãos Magnanelli, e, no mesmo ano, também entrava em
funcionamento nova empresa, comandada por sociedade encabeçada por Nicanor Garcia. Esta última instalou suas
máquinas em um grande armazém, que era propriedade do senhor Italo Menegon. À essas duas unidades pioneiras de
beneficiamento de algodão juntaram-se, mais tarde, a SANBRA - Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, a
SAAD e a usina da Cooperativa Agrícola Algodoeira. Esta última, organizada entre outros, por Tokow Yamada, seu
primeiro presidente, representou a concretização do pensamento extremamente avançado para a época, que era o
conceito de cooperativismo e que reunia os produtores japoneses da região. Infelizmente, com o advento da 2ª
Guerra Mundial e a entrada do Brasil no conflito - em 1942, todo o patrimônio da Cooperativa foi confiscado pelo
governo central. Apesar de não se ter encontrado registros formais do ocorrido pós-guerra, relatos orais de
membros mais antigos da colônia descrevem que a devolução nunca ocorreu. As instalações eram localizadas na
Avenida Brasil, onde atualmente funciona uma unidade da Prefeitura Municipal. Ainda hoje, é possível observar
que fachada segue o padrão clássico das plantas industriais do século passado.

Acervo: Takahiko Hashimoto. 2024.
Instalações da antiga Cooperativa
Agrícola
Algodoeira, que reunia produtores japoneses da região.
O final do ciclo do algodão datado como 1945, por José Jorge Júnior, não significa que a partir de então, a
cultura deixou de existir no município. Apesar do declínio, a importância econômica ainda foi significativa por
muitos anos e o algodão continuou fazendo parte do cotidiano da cidade. Principalmente, incorporando agora, uma
nova questão. Além de produzir, os cotonicultores passaram a se preocupar com a comercialização e a reivindicar
melhor remuneração pelo produto.
Em maio de 1952, aconteceu um grande ato público na cidade reunindo produtores e lideranças da Alta Sorocabana,
de Candido Mota a Rancharia, e incluindo ainda cidades da Alta Paulista. Na pauta, a questão do preço do
algodão. A repercussão do evento pode ser medida, como ressaltava o jornal local, pela presença da “imprensa da
capital”.
Foi feita ainda, na agência local do Banco do Brasil, reunião presidida pelo Sr. Thales Almeida, com
participação de gerentes das empresas de beneficiamento de toda a região e dos agricultores. Estes, como
proposta, apresentaram que a situação insustentável em que se achava a classe, tinha como única saída, a compra
do algodão pelo Banco do Brasil. A sugestão foi levada para a presidência do Banco do Brasil e, como resultado,
a Presidência da República determinou que o algodão fosse adquirido pelo Governo, intermediado pela instituição
financeira.
Para fazer o anúncio oficial da medida, em maio de 1952, o presidente do Banco do Brasil, senhor Ricardo Jafet,
veio participar de um encontro realizado na Praça 9 de Julho no qual estava presente também o Secretário de
Agricultura do Estado de São Paulo, João Pacheco Chaves. A partir de então a luta passou a ser pela manutenção
do sistema e pelo valor do preço mínimo pago pelo Governo.
Dois meses mais tarde, em 5 de julho de 1952, aconteceu a Festa do Algodão, com a coroação da Rainha do Algodão,
no mesmo dia em que foi inaugurado o Posto de Expurgo, com a presença do Governador de São Paulo, do seu
Secretário de Agricultura e de outros políticos.
Ainda sobre a importância do algodão pós 1945, já em 1958, em correspondência enviada pelo presidente do
Sindicato Rural de Paraguaçu Paulista, Luiz Edmur A. Barreto ao Exmo. Presidente da República, o dirigente da
entidade encerrava o ofício com a seguinte frase e argumento, ao menos, original:“Preço mínimo não inferior a
Cr$ 300,00 a arroba do algodão é o que merecem homens do campo e os da cidade, com essa medida, não vestirão
os
mesmos trapos dos homens da lavoura.”
O final da década de 50, parece ter significado o ponto final da cultura no município, apesar de ter havido
ainda uma tentativa, frustrada, de retomada na exploração da mesma, em 1970/71. Na ocasião, estimulados pela
Campanha da Produtividade, de âmbito nacional, muitos agricultores aderiram ao Programa. Foi o último vestígio
da passagem da cotonicultura por terras paraguaçuenses.
O CULTIVO DA HORTELÃ
A crise do café, além de abrir espaço para o algodão, permitiu que surgisse simultaneamente uma nova cultura, a
menta. Apesar de introduzida no Brasil no início do século 20, passou a ter representatividade comercial a
partir dos anos que antecederam a 2ª Guerra Mundial. Segundo vários autores, citando como fonte primária, a
Associação Brasileira de Pesquisas sobre plantas Aromáticas e Óleos Essenciais - 1965, a planta começou a ser
explorada em escala comercial a partir de 1936, justamente no município de Paraguaçu Paulista, de onde se
espalhou por toda a Alta Sorocabana e, posteriormente, para os vizinhos estados do Paraná e do então Mato
Grosso. Nos anos subsequentes, o Brasil passou a ser o maior produtor de menta no mundo.
Para esse pioneirismo do município, a participação dos imigrantes japoneses foi fundamental. Foram eles os
responsáveis pela importação das primeiras sementes do Japão e também os maiores produtores da matéria prima e
responsáveis pela sua industrialização. O óleo essencial obtido no processo tinha um alto valor comercial de
exportação e significou uma excelente fonte de renda nos tempos difíceis do conflito mundial.
Uma grande polêmica, no entanto, cercou essa fase da história econômica da colônia. A atividade foi contestada e
reprovada por alguns, que enxergavam no trabalho honesto dos patrícios, uma traição ao Japão, pois o mentol era
em grande parte encaminhado aos EUA. Para eles, com isso se estava ajudando, indiretamente, a América do Norte
em sua luta contra os Países de Eixo.
Com o final da Guerra em 1945, o plantio da menta no município decresceu rapidamente, enfrentando a recuperação
produtiva das nações asiáticas, tradicionais centros produtores mundiais.
A AVICULTURA
Certamente, a avicultura para a produção de ovos foi a derradeira exploração agropecuária de maior importância
econômica para os imigrantes e descendentes. Surgiu também como alternativa ao esgotamento dos ciclos do café e
do algodão. Para o seu desenvolvimento, contou com o suporte das filiais da Cooperativa Agrícola Bandeirante -
instalada em 1949 e da Cooperativa Agrícola Sul-Brasil. Elas forneciam os insumos necessários para a atividade e
recebiam toda a produção dos cooperados para serem transportados e comercializados nos grandes centros.
Em 1955 havia 35 unidades de granjas, atingindo aproximadamente 120.000 aves. Índices extremamente modestos se
analisados hoje, mas, representativos na época.
Várias granjas estavam instaladas na Colônia Bunka e outras na zona rural, próximas à área urbana.

Acervo de Hélio Moriyama. Local: rua 7 de Setembro esquina com a rua Nilo
Peçanha.
Inauguração da Cooperativa Agrícola Bandeirante, filial de Paraguaçu Paulista

Acervo de Hélio Moriyama.
Local: rua Pedro de Toledo. Instalações da
Cooperativa Central Agrícola Sul-Brasil, filial de Paraguaçu Paulista. Na foto, segundo Humihiro
Nishizawa, aparecem os senhores: Moriyama, Otoichi Suziki, Machikata, Abe, Massao Kariya (1º presidente)
e, no centro, sentado de terno preto, o presidente da cooperativa, senhor Goitiro Nakazawa.

Sede da Cooperativa Central Agrícola Sul-Brasil, filial de Paraguaçu
Paulista.
Local: Rua Gago Coutinho - Barra Funda. 1964. Foto: Paulista Shinbun
OUTRAS CULTURAS
Evidentemente, várias outras espécies agrícolas foram cultivadas pelos imigrantes e descendentes. Pode-se citar:
amendoim, milho, frutíferas como a melancia, hortaliças e também a criação de bicho da seda - sericicultura.
Porém, com exceção da primeira que teve relativa importância, as demais não tiveram representatividade
econômica.

A foto acima traz o flagrante da colheita de melancia na propriedade de Minoru
Sato e Kikugoro Sato. Paulista Shinbum, 1964.
Na época, também eram produtores Hojo & Filhos, na Fazenda Bunka, entre outros.

Paulista Shinbum, 1964
AS EXPOSIÇÕES DE PRODUTOS AGRÍCOLAS E PECUÁRIOS
A história das exposições agropecuárias em Paraguaçu Paulista teve início em 1962, em uma iniciativa despojada,
mas pioneira da Casa da Agricultura. Este órgão público, então chefiado pelo engenheiro agrônomo Dr. Raul
Marcondes Neves, foi o local da amostra, sendo a parte interna do prédio usada para a exposição dos produtos
agrícolas e hortifrutigranjeiros e a área externa para uma pequena amostragem pecuária.
Desde o seu início, as “Feiras” como eram chamadas, tiveram uma grande participação dos produtores japoneses.
Para a realização do evento era fundamental a colaboração efetiva dos membros do 4-H Clube, que reunia jovens da
colônia ligados ao campo. Pela relevância, o clube tinha grande apoio da Casa da Lavoura que, inclusive,
abrigava a sede em suas dependências oficiais.
O grande salto foi dado com a eleição do Dr. Mitsuo Marubayashi. No final da década de 60, o município estava em
franca decadência. Consciente de que o caminho da retomada do desenvolvimento passava pelo campo, o prefeito,
entre outras medidas como a elaboração do PMDR - Plano de Desenvolvimento Rural, passou a realizar a “Feira
Agropecuária”. O primeiro evento aconteceu em 1969, agora no Estádio Municipal, mas parte acontecendo na ACEPP e
na Casa da Lavoura. Contava com a parceria da Casa da Lavoura onde se destacava o técnico Hiromi Nishizava como
auxiliar na organização do evento. Instalado em uma estrutura adequada e conseguindo a adesão maciça dos
agropecuaristas que participavam dos concursos de melhor produto em cada segmento, a festa tornou-se
tradicional, recebendo visitantes de toda a macrorregião.

IIIª Feira Agropecuária de Paraguaçu Paulista. Prefeito Dr Mitsuo Marubayashi
convidando o Exmo Governador do Estado, Laudo Natel, para visitar a IIIª Feira Agropecuária.
Acompanhava, o vereador Isidoro Simões - presidente da Comissão Executiva da Feira, o professor Jathir
Ramos Vieira e o vereador Francisco Eugênio Deliberador - presidente da Câmara Municipal. Maio de 1971.
Foto: reprodução do jornal A SEMANA
Repetida anualmente, teve sequência durante toda a administração do prefeito seguinte, Dr. Edson do Amaral
Destrutti, sendo descontinuada após o término do seu mandato.
EXAPI - Exposição Agropecuária e Industrial de Paraguaçu Paulista
Em 1982, a ESAPP - Escola Superior de Agronomia de Paraguaçu Paulista, passou a organizar em seu Campus
Universitário o então denominado “Encontro de Agricultores e Pecuaristas”. Tinha um viés técnico, pois eram
oferecidos cursos e palestras em várias áreas agronômicas, mas havia também a preocupação de promover a
exposição da produção regional. Funcionou neste formato até 1984.
Em 1985, repaginado, mudou-se a denominação, passando a ser titulada como EXAPI - Exposição Agropecuária e
Industrial. O anfiteatro da escola era usado para a mostra de hortifrutigranjeiros e os vários barracões de
exposições de animais eram emprestados pela Secretaria da Agricultura, passando-se a contar a partir de 1987,
com um barracão definitivo doado pelo Ex-Governador Paulo Egydio Martins. A pista, para a disputa das provas de
tambor e de laço, foi construída em 1984. A Faculdade de Agronomia tinha como grande parceira a Prefeitura
Municipal, sem a qual não seria possível a realização, pela grande dimensão tomada pelo evento.
Com o apoio do prefeito Dr. Edvaldo Hassegawa consolidou-se, tornando-se a maior festa do município. Tinha a
participação de renomados pecuaristas, agências de entidades bancárias, stands de fabricantes de automóveis,
presença de firmas de equipamentos agrícolas, stands de grandes empresas comerciais, além de dezenas de pequenos
comerciantes, parte deles vindos de fora. Durante a semana, aconteciam as premiações de produtos vegetais; os
bovinos eram julgados nas várias categorias; acompanhava-se diariamente a produção das vacas no concurso
leiteiro. O final de semana era reservado para as provas de tambor e laço e para os leilões sempre muito
concorridos. A atração principal das noites eram os shows com a presença dos artistas consagrados da época.
Entre outros, Chitãozinho & Xororó, Roberta Miranda, Perla, João Mineiro & Marciano, Chrystian & Ralf se
apresentaram na EXAPI, todos fazendo muito sucesso na mídia em uma época em que o sertanejo passava a predominar
nas paradas de sucesso.
Quando Carlos Arruda Garms assumiu o segundo mandato como prefeito, a responsabilidade de organizar o evento foi
assumida pela prefeitura, que manteve o campus da instituição como local de sua realização.
Na década de 90, ainda foram realizadas algumas edições na ESAPP. O encerramento da Exposição dentro da
Faculdade marcou o fim de um dos grandes trabalhos realizados pela instituição de ensino, que coerente com uma
das missões de sua existência, desenvolvia uma extensão rural exemplar ao trazer para o seu campus, toda a
comunidade agropecuária da região.
Posteriormente, com a construção do Centro de Convergência, o evento foi substituído pelo Fest Rodeio, que como
expresso no nome, tinha objetivos completamente diferentes. Mais recentemente, essa festa passou à denominação
de Expo Paraguaçu.
Desde o seu início, em 1982, e principalmente quando passou a ser EXAPI, ainda que neste caso houvesse uma
equipe responsável pelo evento, uma pessoa se destacava no labor para que tudo acontecesse sem maiores
problemas. O professor Jathir Ramos Vieira era o “motor” que fazia as demais peças funcionarem. Além de ser um
dos idealizadores do I Encontro que deu início a tudo - na nova fase ESAPP, anualmente fazia o planejamento e
junto com cada um dos diretores de área, armava toda a estrutura física necessária.

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1984. 3º Encontro de Agricultores e Pecuarista,
vista parcial

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1984. 3º Encontro de Agricultores e Pecuaristas.
Pista de provas de Laço e Tambor

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1985. I EXAPI. Vista parcial da pista de provas

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1986. II EXAPI. Centro de Hipismo Rural
Diferentemente da foto anterior, pode-se observar ao fundo, as baias para cavalos que eram usadas para alojar os
“atletas”, quando trazidos das fazendas para períodos de treinamentos na pista de prova e mesmo durante os
eventos que aconteciam durante o ano.
Tanto o prédio em primeiro plano, que era utilizado como restaurante durante as exposições, como o bloco de 10
baias ao fundo foram construídos por meio da parceria com o Clube de Laço de Paraguaçu Paulista.

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1986. Anfiteatro da ESAPP. Mostra de
hortifrutigranjeiros
Este setor tinha como responsável o sr. Hiromi Nishizawa, um dos grandes colaboradores para que tanto os
Encontros, como posteriormente as EXAPI, acontecessem.

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1086. II EXAPI. Abertura do evento

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1986. II EXAPI. Vista parcial

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1987. III EXAPI. Desfile de abertura na Avenida
Paraguaçu. Banda Marcial Municipal Jorginho, da cidade de Quatá. comandada pelo Maestro Gilson Roberto
Gonçalves Pinto.

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1987. III EXAPI. Desfile de cavaleiros

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1987. III EXAPI. Público do show

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1987. III EXAPI. Stand de uma das agências de
automóveis

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1987. III EXAPI. Stand de uma das agências de
Banco

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1987. III EXAPI. Inauguração do Pavilhão de
Exposição de Gado, doado pelo Exmo Ex-Governador de São Paulo, Dr. Paulo Egydio Martins. Dr. Edvaldo
Hassegawa, Prefeito Municipal; Paulo Egydio Martins, Ex-Governador Paulista (1975 a 1979); Tidei de
Lima, Secretário da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo; ao fundo, a observar, funcionário
de campo da ESAPP
O Dr. Paulo Egydio Martins, grande incentivador da melhoria da qualidade do rebanho bovino da região, fez a
doação da estrutura como proprietário da Fazenda Santa Terezinha, que mantinha em Paraguaçu Paulista.

Acervo: Takahiko Hashimoto. 1988. IV EXAPI. Julgamento de Animais