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CTAE - COLÉGIO TÉCNICO AGRÍCOLA ESTADUAL "Augusto Tortolero Araújo"

ESAPP - ESCOLA SUPERIOR DE AGRONOMIA DE PARAGUAÇU PAULISTA


O INÍCIO

Texto de Takahiko Hashimoto



Aparentemente desconectada do objetivo do Memorial Virtual da Colônia Japonesa, a abordagem da história do início das duas instituições de ensino justifica-se pelo protagonismo do Dr. Mitsuo Marubayashi no processo de criação e implantação das mesmas. O registro também se torna oportuno pela narrativa de um momento histórico, contada sob a ótica de um engenheiro agrônomo paraguaçuense que acompanhou de perto todo o processo de autorização e desenvolvimento das duas das mais importantes entidades educacionais do município.

COLÉGIO TÉCNICO AGRÍCOLA ESTADUAL “AUGUSTO TORTOLERO ARAUJO”

Em dezembro de 1968 houve uma grande reformulação da rede de Colégios Agrícolas do Estado de São Paulo, com a criação de 18 novas unidades. Paraguaçu Paulista não aparecia entre os municípios contemplados. Dr. Mitsuo Marubayashi, que havia assumido a chefia do executivo em janeiro de1969, conseguiu em 1970, que a cidade fosse incluída no projeto de expansão do sistema de ensino agrícola. Certamente por merecimento do pleito embasado em resultado preliminar de estudo técnico mapeando as condições e necessidades da área rural, realizado pela Secretaria da Agricultura do Estado, mas também consequência da afinidade e das tratativas com o engenheiro agrônomo Shigueo Mizogushi, que era o diretor da Diretoria Estadual do Ensino Agrícola de São Paulo, e que anteriormente havia sido diretor do Colégio Agrícola de Presidente Prudente. A afinidade citada foi consequência de terem integrados juntos, uma turma de convidados do governo japonês, para uma visita de estudos técnicos ao país oriental.

O Colégio Técnico Agrícola Estadual de Paraguaçu Paulista – CTAE, criado em 1970 e instalado no início de 1971, passou a ter pela Lei de 27 de outubro de 1971 a denominação de Colégio Técnico Agrícola Estadual “Augusto Tortolero Araújo”, sendo hoje conhecida por Escola Técnica Estadual Augusto Tortolero Araújo – ETEC. O homenageado como patrono da escola foi um jovem paraguaçuense, universitário de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo – USP, falecido quando participava, em 1967, do 1º Projeto Rondon, em Rio Branco – Acre.


Decreto de Autorização do CTAE, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo


O decreto foi assinado pelo Governador Abreu Sodré, quando da visita a Paraguaçu Paulista, ocasião em que também inaugurou os silos graneleiros nos armazéns da Ceagesp.


Início das aulas

A manchete da “A Semana”, de 28 de fevereiro de 1971, se referia ao iminente início das atividades: “Designados 12 Técnicos de Nível Superior”. A matéria do jornal iniciava assim a notícia:

“Para seu primeiro ano de funcionamento o Colégio Técnico Agrícola Estadual de Paraguaçu, contará com excelente corpo de professores. Assim é que a Diretoria do Ensino Agrícola designou 12 técnicos de nível universitário para a regência das disciplinas específicas, sendo oito Engenheiros Agrônomos e quatro profissionais de nível Universitário, formados em Faculdade de Ciências Domésticas.

Os professores designados, são todos portadores de Cursos Especializados para o exercício do magistério do ensino técnico e foram submetidos a rigorosa seleção.

Deverão reger aulas de genética e melhoramento de plantas e animais, de fitotecnia, zootecnia, conservação de solos, irrigação e drenagem, entomologia e fitopatologia agrícola, defesa sanitária vegetal e animal, mecânica agrícola, tecnologia de produtos agropecuários, nutrição, psicologia infantil, planejamento do lar, etc...

Licenciados nas outras disciplinas

Nossa reportagem foi informada que para complementação do corpo de professores do Colégio Agrícola para as disciplinas do ciclo secundário tais como: Física, Química, Matemática, Geografia, Português serão contratados professores licenciados em Faculdades de Filosofia, e que se classificaram na seleção realizada.”


A Escola teve início contando com 3 (três) cursos: técnico agrícola, economia doméstica e de monitor agrícola.

Por interessante ao fazer breve relato dos cursos ministrados, vale a pena transcrever a notícia do mesmo jornal, edição do dia 21 de março de 1971:

“Iniciadas as aulas do Colégio Técnico Agrícola Estadual”

Trezentos e oitenta alunos frequentam os primeiros anos dos cursos de Economia Doméstica, Monitores e de Técnicos Agrícola.”

“No último dia 15 de acordo com o programa estabelecido pela Diretoria do Ensino Agrícola do Estado deu-se início às aulas do Colégio Técnico Agrícola de nossa cidade, instalado provisoriamente nas atuais instalações da Fundação Gammon de Ensino, enquanto se procede as obras dos edifícios que abrigarão o novo estabelecimento.”

“Os cursos instalados

Estão matriculados e frequentando as aulas 380 alunos, de ambos os sexos, sendo trezentos aproximadamente em regime de internato, lotando completamente os alojamentos apropriados da Fundação.

O curso para a formação de técnico agrícola de nível médio, com as diversificações em fitotecnia e zootecnia, destinados aos jovens com curso ginasial completo, conta com 140 alunos matriculados, no primeiro ano. Para a Economia Doméstica ocorreram 120 matrículas, após o exame de seleção, pois, o número de inscrições suplantou em muito as vagas existentes. Ambos os cursos, além da formação profissional, incluem o curso colegial de segundo ciclo (Científico).

Monitores

Além dos cursos técnicos de nível médio, foi também instalado o curso para monitores agrícolas destinado aos jovens residentes na zona rural, com idade mínima de quinze anos e meio, e que até aqui haviam frequentado apenas as escolas primárias rurais, isto é até o terceiro ano primário. Cento e trinta e cinco jovens do município, futuros lavradores em regime de internato, durante 30 meses, receberão aulas de práticas agrícolas, contabilidade agrícola, crédito rural, comercialização de safras e indústrias rurais, além de parte das disciplinas relativas ao curso ginasial. Êste último curso sem dúvida deverá dentro em pouco influir diretamente no aumento da produtividade e produção do município que será plenamente compensado pelo investimento realizado através do convênio com o Estado, para a instalação do Colégio Agrícola.”

O primeiro diretor da Instituição foi o engenheiro agrônomo Aracynio Tortolero Araújo. O vice-diretor era Takahiko Hashimoto, também engenheiro agrônomo, e que assumiu a direção do CTAE em 1974, quando o então diretor passou a responder pela ESAPP – Escola Superior de Agronomia de Paraguaçu Paulista.

Na fase inicial, a instituição de ensino ocupava as instalações do antigo Colégio Paraguaçu. Posteriormente houve a mudança para a zona rural, às margens da Rodovia SP 284, km 477/478 – Bairro Sapé.



Vista aérea da área urbana do Colégio Técnico Agrícola Estadual “Augusto Tortolero Araújo”. Acervo de Takahiko Hashimoto. Época provável: entre 1973 e 1974



Parte de alunas da 1ª Turma do Curso Técnico de Economia Doméstica do CTAE “Augusto Tortolero Araújo”, defronte ao alojamento feminino. Acervo: Facebook. Postado por Maria Susete dos Santos Caciatori, no Grupo Agricolinos de Paraguaçu Paulista



ESCOLA SUPERIOR DE AGRONOMIA DE PARAGUAÇU PAULISTA

A Escola Superior de Agronomia de Paraguaçu Paulista – ESAPP, foi autorizada a funcionar pelo Decreto Federal nº 73.409, de 3 de janeiro de 1974. Teve como o grande mentor da sua criação, a figura do mesmo responsável pela instalação do Colégio Agrícola, Dr. Mitsuo Marubayashi. Além de idealizar, ele conduziu os trabalhos do processo, iniciado em 1970, de autorização da mesma junto ao Ministério de Educação e Cultura.

Na elaboração do projeto de autorização do curso, os principais colaboradores foram: José Jorge Júnior, Pedro Elias Arcênio, Aracynio Tortolero Araújo, Roberto Sidney Varrone, Norton Weffort Thimoteo, Plácido Buchianeri Filho, com os trabalhos de secretaria, em sua fase final, feitos por Edna Fernandes Novaes. Deve ser destacado também o empenho de Edson Amaral Distrutti. Na administração do Dr. Mitsuo Marubayashi, ele havia ocupado o cargo de engenheiro de obras. Ao sucedê-lo como prefeito, o Dr. Edson estava totalmente alinhado com os esforços para a autorização da faculdade. Foi premiado pelo privilégio de ver isto acontecer, ainda no seu mandato.

O Projeto de Autorização do curso, protocolado no MEC, indicava os nomes dos agrônomos Aracynio Tortolero Araújo e Takahiko Hashimoto, como diretor e vice-diretor, respectivamente, e, de fato, quando da implantação, foram os primeiros gestores da Escola Superior de Agronomia.

Importante ser destacado papel fundamental do professor Célio Siqueira Rodrigues na costura da formação e estruturação da Fundação Gammon de Ensino, que foi o passo inicial e primordial para que tudo acontecesse. Era fundamental que o Instituto Gammon de Lavras concordasse em participar do projeto. Primeiramente, emprestando o nome e o peso da Instituição à entidade que se formava como futura mantenedora da ESAPP. Por isso era lembrado no pedido de credenciamento da ESAPP, que o Instituto Gammon havia mantido até 1964, em Lavras – MG, uma Faculdade de Agronomia. Federalizada naquele ano pelo governo militar é conhecida hoje como Universidade Federal de Lavras. Portanto, a Fundação Gammon de Ensino de Paraguaçu Paulista carregava já na sua origem, uma vasta tradição no ensino agrário.

Também foi importante a adesão do Instituto Gammon pela cessão, em comodato, de todas as instalações que o Colégio Paraguaçu mantinha na cidade. É correto acrescentar que este gesto altruístico, certamente tinha também nuances de agradecimento e retribuição à população paraguaçuense pelo muito que colaboraram, inclusive financeiramente, na instalação do Ginásio Paraguassu.


ESAPP - a sua logomarca

Autorizada a Faculdade, algumas providências urgentes eram necessárias para transformar o projeto em realidade. Uma delas, a criação de uma logomarca que a identificasse de forma marcante.

O Dr. Aracynio Tortolero Araújo fez então a solicitação ao jovem Luiz Antônio Vasconcelos Penteado, na época graduando em um curso de artes, para que criasse o símbolo da Instituição. Incumbência cumprida de forma voluntária, sem custos financeiros.



A foto acima não faz jus à excelência do resultado final, por ser reprodução aumentada de cabeçalho de um documento. Ainda assim, é possível perceber que o artista buscou a essência, na simplicidade. A folha composta, paripenada, remete à planta, natureza, enfim, à Agronomia. Os traços simples, econômicos, mas elegantes, revelam um estilo minimalista. Os elementos, contidos todos em um círculo, traz para a logomarca o formato de um carimbo. Forma no inconsciente uma imagem forte, de um símbolo que marca de forma indelével a sua existência, tornando-a facilmente identificável.


Quem é Luiz Antônio Vasconcelos Penteado

Paraguaçuense, herdeiro da tradição centenária dos pioneiros, que iniciaram a ocupação das terras que viriam sediar a futura cidade. A sua bisavó chegou com a família em Conceição de Monte Alegre, em 1886, portanto, bem no início do desbravamento da região. Vinha de Alfenas, cidade localizada no sul de Minas Gerais. Fazia parte da comitiva, com apenas dois anos de idade, a avó do Luiz Antônio.

Ainda jovem, Luiz Antonio partiu, de navio, para a Alemanha e, no período de 1968 a 1971, frequentou um curso de pintura na Faculdade de Artes de Colônia, Alemanha, com duração de 3 anos. Conheceu vários países da Europa. Vivenciou ainda estada na França, onde pode ampliar sua cultura artística principalmente em Paris. Retornando ao Brasil, prestou concurso como professor de artes na Secretaria de Educação do Estado, escolhendo trabalhar e morar em Guarujá, onde vive até hoje. Interrompeu a carreira docente para ingressar, mediante disputado concurso, na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, onde ficou até a aposentadoria.

Participou de algumas Exposições e Mostras de arte como: nas cidades de Munique, Bonn e Colônia (Alemanha); Paris, França; 4º Salão de Verão do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; 4º Salão do Artista Jovem no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, Brasil; Salão do Grupo dos Diários Associados, São Paulo, Brasil; e, na sua cidade, Paraguaçu Paulista, Brasil.

Trabalhando com pintura em óleo, dedicou-se e viveu de sua arte entre 1968 e 1978.

Tem o seu nome eternamente ligado à história da Faculdade de Agronomia de Paraguaçu Paulista, que completou em 2024, 50 (cinquenta) anos de existência e ele, 81 anos.


Vestibular

1º Vestibular da ESAPP, em 1974. Realizado nos salões do Paraguaçu Tênis Clube.
Acervo de Takahiko Hashimoto


Curiosidades sobre o vestibular:

Os dados mostram que, pela concorrência, os aprovados tinham uma ótima formação educacional básica. Considerando-se o excelente quadro docente, constituído em parte de professores mestres e doutores da ESALQ – USP, de Piracicaba, e UNESP, de Rio Claro, aliado a uma adequada estrutura física do campus urbano e rural, o resultado não poderia ser diferente. Em pouco tempo, a ESAPP tornou-se referência no ensino agronômico para toda a região e como citado anteriormente, conhecida e procurada por alunos de vários estados brasileiros.

Início das aulas

Acervo de Takahiko Hashimoto.


Foto da primeira turma, em 8 de abril de 1974, após aula inaugural do curso de Agronomia, que marcou oficialmente o início das atividades da ESAPP. A aula foi ministrada pelo cientista Elpidio Amante, do Instituto Biológico de São Paulo, no Salão Nobre do Colégio Paraguaçu. A foto foi feita diante da escadaria interna do prédio de salas de aulas do Colégio, que na época já abrigava, durante o período diurno, as atividades do Colégio Agrícola.

Agachados, da esquerda para a direita: Aracynio Tortolero Araujo, Diretor da ESAPP; Paulo Yoshimini, professor de Física da ESAPP; Serafim Rodrigues, professor do CTAE; Takahiko Hashimoto, Vice Diretor da ESAPP e Diretor do CTAE; Plácido Buchianeri Filho, presidente da Fundação Gammon de Ensino e professor da ESAPP; Mitsuo Marubayashi, Diretor da 11ª Regional Administrativa de Marília, ex-Prefeito do Município e grande mentor da faculdade; Edson Amaral Distrutti, Prefeito do Município; Célio Rodrigues Siqueira, Diretor Assistente do CTAE. Em pé, à esquerda e encostada na parede, Edna Fernandes Novaes, Secretária da ESAPP. Na última fila, primeiro à esquerda José Aparecido de Souza, Secretário da ESAPP. Estão ausentes na imagem, vários alunos que participaram da aula, mas já haviam se retirado quando o grupo foi reunido. Outra foto feita na ocasião (Zeca Jorge, 2019, p.236) registra também a presença de José Jorge Júnior, Chefe de Gabinete da Prefeitura; Coronel Juventino Pereira; Roberto Sidney Varrone e Emiliano Vieira de Carvalho, ausentes na reprodução acima.


Formatura da 1ª Turma de Engenheiros Agrônomos


1ª Turma de Formandos da ESAPP, dia 13 de janeiro de 1978.
Realizado no Ginásio de Esportes “Sílvio de Magalhães Padilha”
Acervo Esapp.


O Jornal A SEMANA, edição de 15 de janeiro de 1978, nº 1481, trazia como manchete:

“Forma-se a Primeira Turma de Engenheiros Agrônomos”, noticiando a seguir:

“Eram 19,55 horas, quando formou-se a mesa que presidiu os trabalhos e que ficou constituída pelo dr. Pedro Elias Arsênio, Presidente da Associação Amigos do Ensino; dr. Aracynio Tortolero Araujo, Diretor da Escola Superior de Agronomia de Paraguaçu Paulista; sr. Carlos Arruda Garms, Prefeito Municipal; dr. Oswaldo Tomazetti , M.M Juiz de Direito da Comarca; sr. José Ricardo Pellizzer, Presidente da Câmara Municipal; dr. Takahiko Hashimoto, vice-diretor da Escola Superior de Agronomia; dr. Edson Amaral Distrutti, ex-prefeito Municipal; dr. Mitsuo Marubayashi, Presidente da Fundação Gammon de Ensino e Patrono dos Formandos; Engenheiro Agrônomo Alysson Paulinelli, Ministro da Agricultura e Paraninfo dos Formandos e dr. Walter Lazarini, Presidente da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo.”


Acervo ESAPP.
Dr. Mitsuo Marubayashi, Presidente da Fundação Gammon de Ensino e Patrono da Turma e Dr. Aracynio Tortolero Araújo, Diretor da Faculdade.
Formatura da 1ª Turma de Engenheiros Agrônomos da ESAPP, 13 de janeiro de 1978



O PMDR – Plano Municipal de Desenvovimento Rural

A história do CTAE, assim como da ESAPP, não pode ser contada sem que se faça referência ao PMDR – Plano Municipal de Desenvolvimento Rural de Paraguaçu Paulista.

Passados mais de meio século do movimento inicial de criação das instituições, certamente para a grande maioria dos paraguaçuenses, a menção a esta relação deve provocar curiosidade pelo desconhecimento do referido documento. Como explícito na própria denominação, o plano, pioneiro no Brasil no que se refere a municípios, mapeou toda a área rural.

Por meio de estudo aerofotogramétrico e levantamento de campo foram analisados:
Baseado nos resultados, ao final, o PMDR propôs alternativas de explorações agropecuárias e estratégias de desenvolvimento mais adequadas para as condições encontradas.

Necessário enfatizar que a concepção desse projeto, totalmente inédito, foi consequência de uma visão absolutamente inovadora de gestão. Ao assumir o cargo executivo municipal, em 1969, Dr. Mitsuo Marubayashi, coerentemente com a sua formação superior em Economia, realizada na Universidade Mackenzie, de São Paulo, fez do planejamento a alma da sua administração. Com a sua equipe de governo iniciou o seu mandato com ampla análise da situação do município. Iniciativa nada surpreendente, já que em seu discurso de posse, afirmara:

“O senso de responsabilidade e o conhecimento da problemática paraguaçuense, repetimos, fazem-nos compreender que uma sadia política de desenvolvimento, não pode assentar-se na ambição de uma duvidosa popularidade a curto prazo; mas sim, de assentar-se na preocupação de encontrar as soluções tecnicamente suscetíveis de beneficiar permanentemente a coletividade”

A agricultura, base da economia, mereceu total atenção, com a conclusão da necessidade de um diagnóstico profundo da sua realidade e que pudesse orientar a tomada de decisões em relação ao seu desenvolvimento.

Um estudo desse porte fugia das possibilidades técnicas, humanas e de financiamento do município. Só poderia ter sido realizado pela Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, por meio de seus vários órgãos, como o Instituto Agronômico de Campinas e/ou o Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. Coube ao dr. Mitsuo Marubayashi levar a proposta desse trabalho para a Secretaria e convencer seus responsáveis para a necessidade e pertinência do plano.

Encampada a ideia pelo Secretário de Agricultura, Dr. Antônio Rodrigues Filho, foram acionadas as peças necessárias para formatar o processo, dar início à coleta de dados, análise do levantamento, definir metas com sugestões, e elaboração de estratégia de divulgação. Especificamente em relação aos representantes dos órgãos locais da Secretaria da Agricultura, foram importantes as participações do agrônomo Plácido Buchianeri Filho – Posto de Sementes, agrônomo Raul Marcondes Neves – Casa da Agricultura, agrônomo Mathias Garre Filho – Casa da Agricultura, agrônomo Mourão Alves Pereira – Casa da Agricultura, médico veterinário Arnor Fadu Saber – Casa da Agricultura e técnico Hiromi Nishizawa – Casa da Agricultura, além de outros técnicos da instituição. Como contratado pela prefeitura, teve participação ativa e decisiva, o engenheiro agrônomo Aracynio Tortolero Araujo.


Situação do município na década de 60

Para melhor entendimento da importância do PMDR é necessário contextualizar a situação do município na década de 60.

Sem dúvida alguma, a análise revela a fase mais problemática da história do município. O agravamento da crise econômica que se iniciara nos anos 50 vai se acentuando e atinge a sua maior amplitude no final da década de 60. Ao invés de crescer, a cidade regredia, dando sinais preocupantes em relação ao futuro.

A síntese desta situação pode ser observada no quadro abaixo, que mostra os índices demográficos do município.



Pode-se observar que a população encolheu de 24.543 pessoas em 1950 para 21.854 pessoas em 1970. Se for considerado o crescimento vegetativo (nascidos vivos - óbitos), na realidade houve uma diminuição de 7.088 habitantes no período. Era uma situação absolutamente preocupante, com os dados traduzindo uma triste realidade. A cidade estava se exaurindo lentamente. Casas comerciais encerrando atividade, prédios e terrenos cada vez mais desvalorizados, escassez de empregos, famílias mudando para outras localidades, isso tudo mostrava que, ao final da década de 60, Paraguaçu Paulista caminhava para um futuro sombrio.

Os números não mentem. Os anos de decadência mostrados no recenseamento demográfico refletem fielmente a situação por que passava o município. A economia agrícola alavancada inicialmente pela cafeicultura, que teve grande expansão a partir da chegada da Estrada de Ferro Sorocabana em 1916, sofreu um grande golpe com a crise mundial de 1929 que atingiu fortemente o principal produto de exportação brasileiro. O café deixava de ser o “ouro verde”, assumindo papel secundário na economia local. O setor reagiu mudando a cultura prioritária, agora dedicando-se à cotonicultura, transformando o município em um dos grandes produtores nacionais. No auge produtivo, por faltarem locais adequados para armazenamento, os fardos de algodão eram depositados ao ar livre, no campo de aviação e em ruas da cidade.

A partir dos anos finais de 40, começa a queda, cada vez maior, na produção de algodão em razão da exaustão do solo, do uso de técnicas inadequadas, ocorrência de pragas, retomada da produção pelos Estados Unidos no pós-guerra, entre outros fatores. Ocorre então a substituição paulatina pela pecuária como principal atividade.

Tanto a cafeicultura como a cotonicultura se caracterizavam pela extensiva utilização de mão de obra, retendo ainda os trabalhadores no campo. A pecuária liberou esta mão de obra que, sem alternativas, deixou a área rural. Em 1940, o setor correspondia a 78% da população, com amplo predomínio em relação a cidade; em 1950, era de 68% e, em 1960, esse porcentual atingia 49% e pela primeira vez prevalecia a zona urbana. Menor parcela dos migrantes rurais fixou residência na sede do município. A maioria, mudou-se para outras localidades.

Atividade tradicional, mas sem protagonismo, desde a década de 40, a avicultura manteve-se estável até os anos 60, quando começa a ter um peso proporcional maior na economia, com grande incremento nos anos 70 sem, contudo, gerar renda parecida à dos anos áureos do passado agrícola do município.

Felizmente, o quadro populacional mostra, com clareza, o ano de 1970 como o ponto de inflexão da curva, com a reversão na tendência de queda contínua. Já em 1971, com pequeno aumento de 219 pessoas, eram 22.073 habitantes e, a partir de então, continuou acontecendo acréscimo no número de habitantes em todos os anos subsequentes. Após duas décadas perdidas, patinando ou pior, retrocedendo, o município começava um novo ciclo virtuoso. Ainda assim, na década de 70, considerando-se o crescimento vegetativo, o município estava perdendo habitantes.

Saindo da inércia lentamente, o processo de desenvolvimento foi se acelerando e os maiores reflexos seriam observados já no início década seguinte. A partir de 1981, considerando também o crescimento vegetativo, o município passou ao crescimento real, isto é, além de acrescer o número dos nascidos vivos, descontado os óbitos, a cidade passou a receber habitantes migrantes. Esse incremento populacional se manteve nas duas décadas seguintes, com crescimento médio anual em torno de 800 pessoas (ano 1980 = 23.465 habitantes e ano 2.000 = 39.553 habitantes).

Bastaram, portanto, apenas dez anos – 1970 a 1980, para que o município mudasse totalmente seu status de cidade decadente para o de patamar de pleno desenvolvimento, com o início do processo de recuperação ocorrendo em 1970/71.

As causas fundamentais responsáveis para esta reviravolta de 180º no rumo do desenvolvimento do município têm uma relação grande com o PMDR – Plano Municipal de Desenvolvimento Rural.


Relação das Instituições – Colégio Agrícola e Faculdade de Agronomia, com o Plano Municipal de Desenvolvimento Rural

A implantação do Colégio Agrícola e da Faculdade de Agronomia, e a retomada do desenvolvimento do município a partir de 1970/71, têm tudo a ver com o PMDR. Esta ligação pode ser explicada utilizando-se, inicialmente, a transcrição de trecho do documento “PARAGUAÇU PAULISTA – 8 ANOS DE PROGRESSO (1969–1976) – Mitsuo Marubayashi e Edson Amaral Distrutti, 1976.

“O Estudo que resultou no Plano Municipal de Desenvolvimento Rural – P.M.D.R (trabalho pioneiro no Brasil), mostrou que as possibilidades do município eram promissoras desde que as forças produtoras fossem adequadamente ativadas e reanimada a iniciativa particular urbana.

Partiu-se da óbvia conclusão de que não se poderia estabelecer, inicialmente, planos de crescimento com base na ilusória e messiânica industrialização do nada, pois praticamente nada se produzia.

Quanto à agricultura, contudo, o P.M.D.R. indicava, entre outras medidas, a necessidade básica de uma reformulação profunda da mentalidade dos agricultores visando o seu aprimoramento técnico na exploração agrícola. Às facilidades e incentivos que pudessem ser criados pela Prefeitura, era fundamental a implantação do ensino técnico agrícola.

Realmente, o nível médio de instrução dos proprietários rurais, indicava a necessidade, não só de um relacionamento ajustado a esse nível, como também a escolarização de seus filhos mais acessível pela idade e mudanças nos métodos de trabalho.



Proprietários – nível de conhecimento*




Esse o nível geral. O levantamento mostra ainda, em detalhes, que os representantes das propriedades médias do município (de 30 a 100 hectares), incluídos na classificação de “analfabeto” e “apenas lê e escreve”, somam 55 por cento.

Feita a radiografia do Município, elaborado o diagnóstico, restava por mãos à obra na aplicação dos remédios indicados: desenvolvimento da Educação e da Agricultura.

Tais prioridades iriam exigir o sacrifício de outros projetos relacionados com a zona urbana, com a cidade propriamente dita. Mas, entre enfeitar a pobreza e restabelecer o progresso não havia, honestamente, dúvidas no caminho a seguir.

Ao paisagismo dissimulador, ao cenário festivo, à aparência ilusória, era imperioso contrapor as soluções de base responsáveis que trouxessem de volta o clima de confiança dos velhos tempos e, a partir daí, o grande impulso ao crescimento, à prosperidade de Paraguaçu Paulista.”



Destaca-se no trecho a frase:

“Feita a radiografia do Município, elaborado o diagnóstico, restava por mãos à obra na aplicação dos remédios indicados: desenvolvimento da Educação e da Agricultura”.

De fato, a síntese da conclusão do PMDR apontava para a necessidade de investimento na educação agrária, com o objetivo de melhorar o nível da agropecuária local e regional, dando suporte tecnológico e disponibilizando profissionais em nível técnico e superior, capacitados para a melhorar a produtividade das culturas tradicionais e auxiliar na implantação de novas culturas, como o trigo, e dinamização da avicultura.

Grande conhecedor da realidade do município, o Dr. Mitsuo Marubayashi já tinha como prioridade investir na educação. Baseado nos resultados preliminares do PMDR, cujo estudo precursor foi o levantamento em 1969 da capacidade de uso do solo, o prefeito teve o grande mérito de, como relatado no início, conseguir que também na cidade, fosse implantada uma nova unidade no sistema de ensino. Surgiu assim o CTAE - Colégio Técnico Agrícola Estadual, que funcionou a partir de 1971.

Concomitantemente, desde 1970, a ideia da Faculdade de Agronomia começou a ser trabalhada. No próprio processo de autorização apresentado ao MEC, a justificativa social apresentada para convencimento da propriedade do credenciamento da instituição foi fortemente baseada nas conclusões do PMDR.

Havia o objetivo da melhoria na tecnologia produtiva agrícola regional pela ação da própria Faculdade de Agronomia, ao cumprir o seu papel como agente de pesquisa e extensão. Pretendia-se ainda que a atuação dos agrônomos paraguaçuenses, egressos da instituição, fossem partícipes no desenvolvimento do setor primário do município. Somando-se à contribuição do contingente de profissionais formados pelo Colégio Técnico, tinha-se equalizada a questão de recursos humanos, necessários para dar prosseguimento e consolidar o PMDR.

A influência das duas instituições educacionais agrárias nos aspectos técnicos do processo produtivo era uma das consequências esperadas na evolução do campo. Como já comentado, era importante ainda a “reformulação profunda da mentalidade dos agricultores”....., o que seria atingida ao se trabalhar com a geração mais nova, constituída pelos seus filhos, mais receptíveis às mudanças a serem propostas. No entanto, atendo-se apenas a essas perspectivas, não se poderia esperar uma reação em curto prazo na vida da cidade.

Mas, o impacto direto da instalação, inicialmente, do Colégio Agrícola foi imediato.

O corpo técnico – agrônomos, veterinário e economistas domesticas, exceto o Diretor Aracynio Tortolero Araújo e o vice-diretor Takahiko Hashimoto, era formado por profissionais vindos de fora. Todos, graduados nas melhores universidades agrárias brasileiras, como USP – Piracicaba, UNESP – Botucatu/Jaboticabal, UFV – Viçosa e UFRRJ - Rural do Rio de Janeiro.

Somando-se a necessidade de numeroso grupo de professores de disciplinas básicas, funcionários para os serviços administrativos e de apoio – almoxarifado, cozinha, limpeza, secretaria, enfermaria e equipe de servidores para a Escola Fazenda, o funcionamento possibilitou a contratação de um expressivo quadro de colaboradores. Todos pagos pelo Estado e cujos salários ajudaram a movimentar a combalida economia local. Situação muito bem-vinda, face ao grande índice de desemprego à época.

Além disso, havia os gastos da nova Instituição em investimentos, como construção de alojamentos para alunos e infraestrutura na fazenda; gastos mensais na manutenção do Colégio, principalmente com compras de alimentos; e, aquisição de insumos para a fazenda. Com todos esses produtos sendo adquiridos na cidade, o volume financeiro injetado na cidade era considerável. Lembrando que a escola chegou a ter quase 600 alunos, com poucas exceções em regime de internato, não pode ser desprezada as pequenas despesas de cada um no comércio local.

Para se ter uma ideia de valores, apenas em infraestrutura, o convênio entre Estado e Município na criação do Colégio Agrícola, previa o montante de investimento na ordem de 2.200.000,00 cruzeiros.

No início da Faculdade de Agronomia, a mesma situação se repetiu, agora no entanto em maior escala em relação aos investimentos e custos operacionais da nova instituição, revertidos para a economia da cidade. Some-se a isso, mais 120 alunos anuais a partir de 1974 que, no início de 1977, atingiu um total de 480 alunos. A grande maioria vinda de fora e as mensalidades pagas à escola eram indiretamente canalizadas para o município. Gastos de aluguel de casas, alimentação, roupas, farmácia e inúmeros outros itens movimentaram todo tipo de comércio. Lembrando que, neste caso, os universitários eram predominantemente de classes média e alta, portanto, com maior poder aquisitivo. Assim, o aquecimento da economia foi relevante para uma cidade que, na época, tinha pouco mais de 22.000 habitantes.

O professor Jathir Ramos Vieira, professor de Educação Física e Esportes da Faculdade, fez parte do quadro docente desde o início de funcionamento. Ele relata que organizava uma tradicional competição de futebol de salão – futsal entre repúblicas de estudantes, reunindo mais de 70 repúblicas participantes, número expressivo se for considerado que nem todas participavam. Portanto, pode-se considerar que eram quase 100 residências alugadas e ocupadas pelos universitários da ESAPP.



A agricultura e outros fatores para a retomada do desenvolvimento

Paralelamente ocorria uma extraordinária evolução da agricultura, com a introdução do trigo e da soja substituindo, em grande parte, as culturas até então tradicionais. Como efeito direito, aconteceu a revitalização da agroindústria, como a tradicional Anderson Clayton passando a produzir também o óleo de soja. As propriedades rurais rapidamente tiveram aumento em seus valores de compra/venda.

Os resultados alcançados na década de 70 provenientes do funcionamento das escolas agrárias, somados ao crescimento da agricultura regional eram indícios de que os “remédios indicados: desenvolvimento da Educação e da Agricultura”, tinham sido corretamente prescritos.

Outro importante componente, agora subjetivo, também contribuía para essa nova realidade. Utilizando mais uma vez, o documento de Mitsuo e Edson:

“O segundo elemento foi o despertar da energia potencial de grande número de paraguaçuenses, até aí reprimida pelas sombrias perspectivas quanto ao futuro da cidade. Paraguaçu não tinha um engenheiro civil sequer.

As diretrizes estabelecidas e a firmeza das medidas tomadas pela administração que então se iniciava, foram capazes de impor ao povo o sentimento de segurança, de crença no futuro da comunidade”


Neste contexto, o crescimento da construção civil ganhou grande impulso. A cada ano crescia o número de licenças expedidas pela Prefeitura para construção de casas e prédios comerciais. Aumentava assim, como consequência, o número de profissionais necessários para o setor como pedreiros, carpinteiros, eletricistas, encanadores e outros. Da mesma forma, ampliou-se o comércio de material de construção, fornecimento de madeira e de material primário como areia e brita. Surgiram novos loteamentos urbanos. Enfim, a cidade encontrava mais uma opção de desenvolvimento, complementando o avanço do setor primário.

Referências sobre esse período são encontradas em Armando Garms (1977, p. 73), com a compilação de dados sobre as plantas aprovadas pela Prefeitura.

Número de plantas aprovadas pela Prefeitura entre 1970 e 1975 (até outubro)


Assim, a conjugação de todos esses fatores criou as condições necessárias para a grande mudança no perfil da cidade exprimida na mudança de rumo no desenvolvimento, passando de uma perspectiva sombria para a retomada do crescimento.


FUNDAÇÃO GAMMON DE ENSINO - FUNGE

A constituição da Fundação Gammon de Ensino como entidade mantenedora da Escola Superior de Agronomia em 26 de dezembro de 1970 só foi possível pela união entre o Instituto Gammon, sediado em Lavras, com a Prefeitura do Município e com a Associação Amigos do Ensino de Paraguaçu.


Foto: Reprodução do Jornal “A SEMANA”, de 15 de janeiro de 1978


Momento da assinatura dos documentos de constituição da Fundação Gammon de Ensino, ocorrida em 26 de dezembro de 1970
Dr. Eduardo Lane – Presidente da Assembleia Geral do Instituto Gammon, Dr. Mitsuo Marubayashi – Prefeito Municipal, Dr. Pedro Elias Arcênio – Presidente da Associação Amigos do Ensino. A observar e testemunhar esse momento solene, o reverendo Célio Rodrigues Siqueira, que foi fundamental para o engajamento do Instituto Gammon no projeto.

Em 6 de março de 1971 foi realizada a primeira reunião do Conselho de Curadores da Fundação Gammon de Ensino. Foi inicialmente presidida pelo Dr. Mitsuo Marubayashi, representante transitório da Fundação que, ao assumir os trabalhos, informou que tinha recebido das Entidades que compõem o Conselho, os nomes dos seus representantes. Eram eles: pela Prefeitura Municipal, os senhores Dr. Aldo Monteiro Paes Leme, Professor Armando Garms e Dr. Joaquim Luiz Pereira Briso; pelo Instituto Gammon, Dr. Alberto B. Coit e Dr. Eduardo Lane; pela Associação Amigos do Ensino, Dr. Aracínio Tortolero Araújo e Dr. Pedro Elias Arcênio. Dentre estes conselheiros foi eleito, por aclamação, para Presidente do Conselho de Curadores o Dr. Pedro Elias Arcênio, para Vice-Presidente o Dr. Eduardo Lane e para o cargo de Secretário o Professor Armando Garms. Assumindo a presidência dos trabalhos, o Dr. Pedro Elias Arcênio propôs para a composição de Diretoria Executiva os seguintes nomes: Dr. Plácido Buchianeri Filho como Presidente, José Jorge Júnior como Vice-Presidente e Roberto Sidney Varrone como Secretário, sugestão acatada por unanimidade.


Os Três Pilares da Fundação Gammon de Ensino: Instituto Gammon, Prefeitura Municipal e Associação Amigos do Ensino

A história do Instituto Gammon, desde 1943 na cidade com o Ginásio Paraguaçu, é sobejamente conhecida. Coerente com seu lema “Dedicado à Glória de Deus e ao progresso humano”, o Instituto, de forma altruísta, cedeu em comodato, todas as suas instalações físicas para compor o patrimônio da Fundação Gammon.

Para a Prefeitura ficou a responsabilidade de construção de salas e laboratórios, aquisição do imóvel rural para instalação da Fazenda Modelo, além da destinação de ajuda financeira no valor de 300 salários-mínimos anuais. Aparentemente gastos à fundo perdido, na verdade eram um grande investimento ao acreditar-se ser o caminho para a recuperação da economia do município. Se analisado apenas sob a ótica das finanças da prefeitura, opção temerária, pois havia pouca margem para implantação de novos projetos. As dívidas vencidas e a vencer a curto e longo prazo representavam, em 1969, mais de 170 por cento de toda a receita orçamentária. As decisões, no entanto, estavam fundadas em planejamento adequado e visão de futuro. A história mostra o acerto das medidas tomadas à época.

Coube um papel fundamental à Associação Amigos do Ensino na espinhosa missão de motivar os paraguaçuenses. Provavelmente iniciativa inédita no Brasil, quando se trata de criação de uma faculdade privada, a comunidade seria mobilizada para contribuir financeiramente para a viabilização da faculdade. Talvez tenha sido esse o argumento decisivo para a obtenção da autorização pelo MEC. A cidade estava tão empenhada em viabilizar o projeto, que se comprometia a bancar parte significativa dos recursos necessários para a sua implantação.

Por justiça, não se pode deixar de citar dois membros da colônia que foram importantes para a criação e viabilização da Associação Amigos do Ensino de Paraguaçu. São eles: Denshiro Saito e Hissagy Marubayashi. O primeiro pelo trabalho e pela influência junto a Colônia e o segundo, pelo exemplo de solidariedade, altruísmo e senso coletivo. Ambos tiveram decisiva participação na Associação Amigos do Ensino e prestaram um grande serviço para a comunidade paraguaçuense.


Os visionários que fizeram a história da Escola Superior de Agronomia de Paraguaçu Paulista acontecer

Estão relacionados os nomes dos que participaram diretamente na elaboração do Projeto e nos trabalhos de autorização da ESAPP. Também aqueles que fizeram parte das primeiras diretorias da: FUNGE - Fundação Gammon de Ensino - Conselho de Curadores e Diretoria Executiva, além da primeira Diretoria da Escola Superior de Agronomia de Paraguaçu Paulista.

Em ordem alfabética:

Aracynio Tortolero Araujo, colaborou na elaboração do projeto de autorização e foi o 1º diretor da ESAPP

Armando Garms, Secretário do 1º Conselho de Curadores da FUNGE

Célio Rodrigues Siqueira, principal responsável pela articulação com o Instituto Gammon, para a criação da Fundação Gammon de Ensino

Edna Fernandes Novaes, Secretária do grupo executivo para elaboração do projeto de credenciamento da ESAPP

Edson Amaral Distrutti, engenheiro da Prefeitura Municipal durante o período da elaboração do projeto e prefeito em 1974, quando da autorização da faculdade

Eduardo Lane, vice-presidente do Conselho de Curadores da FUNGE

José Jorge Júnior foi o incansável executivo de todo processo de autorização da ESAPP. Ocupou ainda o cargo de vice-presidente da 1ª Diretoria Executiva da FUNGE

Mitsuo Marubayashi, idealizador e mentor da ESAPP, O perfil do Dr. Mitsuo Marubayashi pode ser visitado no Memorial das Famílias.

Norton Weffort Thimoteo, colaborou na elaboração do projeto de autorização

Pedro Elias Arcênio, colaborou na elaboração do projeto de autorização e foi presidente do 1º Conselho de Curadores da FUNGE

Plácido Buchianeri Filho, colaborou na elaboração do projeto de autorização e foi presidente da 1ª Diretoria Executiva da FUNGE

Roberto Sidney Varrone, colaborou na elaboração do projeto de autorização e foi secretário da 1ª Diretoria Executiva da FUNGE

Takahiko Hashimoto, 1º vice-diretor da ESAPP