Topo

Edivaldo Hassegawa

Texto de Rony Farto Pereira


DR. EDIVALDO HASEGAWA:
MÉDICO, POLÍTICO E AMIGO DE TODOS




Há pessoas que se destacam por sua força. Há pessoas que se destacam por seu dinheiro. Há pessoas que se destacam por suas características físicas. E há pessoas que se destacam por seu amor pelos outros, pela caridade genuína que nasce de sua própria natureza e de seu interior, pela luta contínua por trazer a saúde, o respeito, a vida plena a seus semelhantes.

Nesta última categoria se enquadra, sem sombra de dúvida, o Dr. Edivaldo Hasegawa.

Médico querido por todos e pessoa de caráter íntegro, nem sua entrada na seara da política – onde não se estranham rivalidades, maledicências e injustiças – modificou a opinião da grande maioria daqueles que o conheceram.

É possível descobrir que, mesmo entre seus ferrenhos adversários, há uma infinidade de pessoas que louvam suas qualidades e reconhecem nele um homem de paz, cumpridor de seus deveres e imbuído sempre de uma inabalável vontade de trabalhar muito, a fim de propiciar a todos uma vida digna.


A vida marcante do Dr. Edivaldo se entrelaça às raízes da imigração japonesa ao nosso país, iniciada no começo do século XX. Seus pais, Masatoshi Hasegawa e Motu Hasegawa, vieram em uma daquelas históricas e penosas viagens de navio, em meados de 1930, trazendo consigo apenas a filha mais velha, já falecida.

Desembarcaram em Santos, hospedando-se em uma pensão que acolhia imigrantes japoneses; logo depois, seguiram para o interior de São Paulo, para trabalhar na lavoura de café, embalados, na ótica do governo brasileiro, pela promessa de riqueza...

Foi em Altinópolis que nasceu o Dr. Edivaldo, no dia 3 de outubro de 1936. Ali permaneceram por alguns anos, dedicando-se ao trabalho árduo, mas inevitável para os estrangeiros, na época.

Desde cedo muito dinâmico e interessado em estudar, o menino foi alfabetizado ainda na zona rural e, na sequência, foi residir em Chavantes, onde cursou o Ensino Primário. Na cidade, foi acolhido por parentes da Professora Iolanda Campos, de quem não se esquece...

O Ensino Secundário, no período relatado conhecido como Ginásio, foi concluído em Ourinhos. Já os dois primeiros anos do antigo Colegial foram cursados em Santa Cruz do Rio Pardo, de onde o Dr. Edivaldo seguiu para a Capital, onde concluiu essa etapa da educação, também acolhido por familiares da Professora Iolanda Campos.

Terminado o Colegial, frequentou as aulas de um Cursinho de preparação para ingresso no Ensino Superior, ainda em São Paulo. Ali conheceu um colega nissei, cujo irmão tinha formado na UFRJ, no Rio de Janeiro. Motivado por essa circunstância, concentrou-se ainda mais nos estudos, sempre visando à concretização do sonho de exercer a Medicina.

Seu espírito de dedicação e zelo, a despeito das dificuldades, logo produziu frutos concretos. Prestou dois vestibulares, um de escola privada e outro na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro –, sendo aprovado “com louvor” em ambos. Na hora de escolher, preferiu a UFRJ, instituição pública, onde não apenas os estudos eram gratuitos, mas os estudantes contavam com alimentação, moradia e transporte gratuitos.

Com essa ajuda importantíssima, o universitário se esmerou no aprofundamento do saber, destacando-se por sua inteligência e disposição. Já no terceiro ano do Curso de Medicina, trabalhava em plantões, nas escassas horas de folga; com essa atividade, podia ajudar financeiramente a família, que, a essa altura, se mudara para Santa Cruz do Rio Pardo.

Após anos de estudo, articulando teoria e prática, pois convivia diariamente com os problemas da saúde pública, na realidade carioca, o Dr. Edivaldo se formou, em 1961. Não demorou para que ingressasse no IAPI, como médico efetivo. Durante três anos, o novo médico atuou, com denodo, na profissão que abraçara e que se tornaria, definitivamente, a sua vida e o seu destino, para sempre...


Em 1964, permitiu-se tirar umas férias breves, viajando para Santa Lina, onde sua família fixara residência. Contudo, não tinha paciência de não fazer nada e, sobretudo, sua consciência de médico dedicado e sua percepção das dificuldades e sofrimentos do povo o conduziram, em plenas férias, ao Hospital do Dr. Moacir Nicácio, em Quatá, onde ficou prestando serviços voluntários por algum tempo.

Com efeito, deflagrada a Revolução de 1964, acabou sendo traído pelas circunstâncias: terminadas as férias e devendo retornar ao trabalho no IAPI, foi impedido pela falta de combustível na região, provocada pelas providências militares, na época. Assim, acabou faltando quatro dias ao emprego: a instituição aceitou a ausência em três dias... Decepcionado, pediu demissão do cargo efetivo e decidiu permanecer por aqui, fixando residência em Paraguaçu Paulista, desde 1964.

Quem o conhece não estranha que tenha alugado uma casa, fazendo dela, ao mesmo tempo, seu consultório e sua morada, onde ficava à disposição nada menos que 24 horas por dia. Começou a atender a população, frequentemente sem cobrar consultas, além de se incorporar ao corpo médico da Santa Casa, onde realizava todo tipo de atendimento, partos e cirurgias em geral. Não é raro, pelas redes sociais da atualidade, saber de histórias fantásticas sobre as cirurgias efetivadas nesse tempo e encontrar pessoas de numerosos lugares que relatam que nasceram pelas mãos desse homem abençoado...

Pouco tempo depois, adquiriu sua casa na Rua Santos Dumont, onde hoje mora seu irmão Mário; na ocasião, trouxe para junto de si os pais, de modo que passaram a conviver com ele e com seus dois irmãos, Luís e Mário, que já estavam na região.

Por longos anos, de dia e de noite, sua dedicação representou segurança de saúde para muitos... Sempre aberto e cada vez mais mergulhado na simplicidade que engrandece, o Dr. Edivaldo vivia para a comunidade, a qual aprendeu a amá-lo e respeitá-lo.


Entretanto, não demorou para que procurasse meios mais eficazes de ser ainda mais útil ao seu povo. Compreendeu que, se ocupasse cargos públicos e executivos, poderia contribuir ainda mais para reduzir o sofrimento da população e oferecer condições de saúde mais eficientes.

Conhecido e estimado por todos, aceitou ser o candidato a vice-prefeito, ao lado do jovem engenheiro Edson do Amaral Distrutti, nas eleições de 1972. A vitória foi completa, de modo que, entre 1973 e 1976, acumulou as funções de vice-prefeito e as obrigações de médico.

O conhecimento da máquina administrativa, com suas dificuldades e peculiaridades, serviu para que, em 1982, o Dr. Edivaldo se candidatasse ao cargo de prefeito.

Sua campanha, ao lado do Professor Arthur Toledo, candidato a vice-prefeito, foi simplesmente eletrizante: a população paraguaçuense se acotovelava nos comícios calorosos, acompanhando as músicas e absorvendo as falas entusiasmadas de seus correligionários e amigos. Cada encontro era um espetáculo de emoção e aplauso, convertidos em votos: foi eleito com votação expressiva, vencendo folgadamente em todas as urnas do município.

Aprofundou-se na árdua tarefa de adequar os numerosos anseios dos munícipes às verbas existentes e, sobretudo, às normas de correção e de honestidade, pauta constante em sua vida. Além disso, continuava em sintonia com o povo, em questões de saúde, porque as pessoas precisavam dele e ele sentia, na própria carne, o desalento de alguns e o sofrimento de muitos...

Quando se findava o mandato, previsto para se encerrar em 1986, a Justiça Eleitoral o prorrogou por mais dois anos, de maneira que ficou na Prefeitura até o final de 1988.

Retornando à sua missão de médico, já fora do Executivo Municipal, não demorou para que fosse novamente convocado. Nas eleições de 1992, aceitou ser o candidato a vice-prefeito, na chapa encabeçada por Carlos Azoia.

As ruas outra vez se encheram, seguindo a dupla que se colocava à disposição da comunidade, para governar a cidade. A vitória de novo foi certa... e, por mais quatro anos, a cadeira de vice-prefeito era ocupada pelo médico benemérito.

Encerrada a gestão, em 1996, parecia que o Dr. Edivaldo se dedicaria exclusivamente à rotina de consultas, atendimentos, cirurgias. Sua figura já se mesclava à brancura das paredes do Centro Cirúrgico, do ambulatório e dos consultórios... Mas não foi assim: quatro anos depois, em 2000, os comícios anunciavam que o médico outra vez se dispunha a se empenhar em conseguir verbas, em promover a saúde, em tornar concretos os sonhos necessários do povo. Assim, novamente candidato a Prefeito (acompanhado do Dr. Benedito Acácio de Paiva, vice), repetiu-se a campanha movimentadíssima, que resultou na eleição para a gestão de 2001 a 2004.

E assim se cumpriu o desejo da população, com ambos os médicos à frente do Executivo, procurando nos meios mais altos a solução para os problemas que se avolumavam, em função do contexto sociopolítico e econômico do período.

A respeito desses mandatos, poderiam ser reproduzidos numerosos testemunhos, seja de pessoas amigas, seja de munícipes rigorosos e imparciais. Contudo, basta ler um texto do Estadão, publicado logo depois de encerrada a sua primeira gestão de Prefeito, para se avaliar como foi o trabalho sério e honesto na chefia do Executivo.

O artigo do jornal, intitulado “A grande exceção”, aborda a “inacreditável história do único prefeito que empobreceu no cargo. Edivaldo Hasegawa tinha sítios, casas e automóveis. Deixou o cargo sem nada, apenas com muito prestígio popular”. E assim termina a reportagem:

“Já comunicou seu retorno à profissão de médico-cirurgião e está à disposição de toda a população da cidade, principalmente das pessoas de baixa renda, que nem sempre têm dinheiro para pagar a consulta e o tratamento”.


Hoje (2022), com 86 anos de idade, o Dr. Edivaldo desfruta de sua merecida aposentadoria. Como era de se esperar, seu coração não sossega e sua mente está sempre alerta, quer rememorando os fatos que vivenciou, quer procurando saber como estão todos os amigos que fez, ao longo de sua vida. Mas, mais que isso: está em sintonia com o mundo e, especialmente, com a cidade a que dedicou a maior parte de sua existência, sempre desejando conhecer as soluções dadas aos inúmeros problemas e se regozijando com notícias positivas nesse sentido.

Do longínquo dia em que seus pais aportaram neste país até os dias atuais, uma página perene de força e de coragem se mantém escrita, indelével, para fixar para a eternidade essa figura benfazeja de médico, político e amigo de todos!