Topo

Colônia Bunka
A história. Os pioneiros

Texto de Humihiro Nishizawa, com contribuições de: Hiromi Nishizawa, Celina Harumi Nishizawa, Takahiko Hashimoto e Mirian Marubayashi Hidalgo



Introdução

Tokow Yamada e o pastor Junkichi Mori iniciaram, em 1919, sua saga em busca de um país que pudesse dar novos horizontes aos seus familiares e conterrâneos, moradores principalmente no estado de California, Estados Unidos, onde a discriminação racial para com os negros e japoneses era grande. Vieram ao Brasil e visitaram várias localidades no Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Neste, percorreram a região da Alta Paulista, Norte, Noroeste e, finalmente, vieram para a Sorocabana, em Paraguaçu Paulista.

Em uma segunda viagem, em 1923, o pastor Mori e Yamada vieram acompanhados pelo pastor Yasoji Ito, já com dinheiro suficiente para a aquisição de terras. Os recursos foram arrecadados junto aos moradores dos Estados Unidos e do Japão, desejosos de emigrar. Foi possível adquirir, inicialmente, 2000 alqueires de João Gomes Martins e irmãos, sendo que 1509 deles foram regularizados e registrados somente em 1935 devido a litígios que serão relatados adiante. Outros 200 alqueires foram adquiridos da Companhia de Colonização Alfredo Marcondes, empresa do mesmo João Carlos Martins.

Em 1925, aportaram no Brasil e em Paraguaçu, no dia 25 de julho¹, juntamente com seus familiares e com os demais imigrantes que residiam nos Estados Unidos e no Japão. Chegaram no mesmo ano em que Paraguassu, Araguaçu e depois Paraguaçu Paulista foi elevada à categoria de município, em 12 de março. Se tornou sede de comarca em 13 de dezembro de 1927.


Foto tirada provavelmente em Los Angeles, data incerta. No centro, pastor Junkichi Mori, atrás à esquerda está o sr. Yoshimatsu Nishizawa, residente naquela cidade, com uma criança no colo. Por problemas de saúde este não veio para o Brasil.
Acervo: Hiromi Nishizawa

Denominação, loteamento e administração

Foi denominada Colônia Bunka - 文化 – que, traduzido ao português, significa cultura. Os termos Colônia e Fazenda Bunka se misturam e frequentemente são usados como sinônimos. A área adquirida ficava na Fazenda Pedro e Barreiro, de acordo com a transcrição oficial. Tinha como divisas a Colônia Ribeirão Grande (também de imigrantes japoneses) e as fazendas Santa Carolina, Limeira, Cristal, Bom Jardim, Paineiras e Santo Antônio. O início da Colônia estava localizado no então denominado Hospital e na outra ponta, Bicatu. A Colônia Bunka, originalmente, pertencia ao município e comarca de Paraguaçu Paulista. Hoje, faria parte dos municípios de Lutécia² e Borá³, que possuem como limites o rio Água da Paz. Sua nascente estava justamente na Colônia Bunka. Também era cortada pelo rio Ribeirão Barreiro de um lado e, pelo outro, pelo rio Água da Garrafa, que adiante se chamava Água Grande. Todos esses rios desaguavam no Rio do Peixe. As terras agricultáveis eram em torno de 70%. Foi feito o loteamento da Colônia com propriedades de 20 a 80 alqueires, ou mesmo de 5 alqueires.

Pelo tamanho do empreendimento foram organizadas seções, com uma equipe de colaboradores. O Administrador Geral era Kentaro Nakamori; Fiscal, Kashiti Owada; Agrimensor, Jiro Kawamura; Escrivão Geral, Massao Yuasa; Chefe da Carpintaria, Yoshio Suzuki; e, Supervisor, líder Tokow Yamada⁴.


⦁ Na primeira imagem: Quadro original, divisão no início do loteamento. Na segunda imagem: Mapa do memorial descritivo, provavelmente elaborado para os registros das escrituras definitivas, em 1935. Alguns nomes que constam no primeiro mapa, já não fazem parte do segundo, em virtude da desistência, principalmente dos que vieram do Japão. Todos os nomes deste mapa estão listados no final desta narrativa.
Acervos: Emiko Nakamori Aoki e Hiromi Nishizawa

Os pioneiros

Os pioneiros que se estabeleceram na Colônia Bunka já vieram na condição de proprietários, diferentemente daqueles de outras localidades no estado que tiveram de assinar contratos, principalmente nas fazendas de lavouras de café.

Os primeiros a chegar dos Estados Unidos, no período entre 1925 e 1932, foram⁵: Guinchi Nakata, H. Nagata (retornou ao Japão logo após o fim da guerra), Hiroji Nishizawa, I. Kimura, K. Ueda (Yoshino⁶), C. Watanabe, K. Miyake (voltou ao Japão), Kentaro Nakamori, Kinishi Ishitani, Kiukichi Suzuki, Massaichi Koyama, Nagatoshi Nakano, Otoichi Yassuda, S. Hara, S. Nakajima (Takeo Miyazawa), S. Nemoto, Suehiro Hojo, entre outros. Houve os que vieram do Japão para a Colônia Bunka. Tanto nos Estados Unidos como no Japão foi feito convites para a vinda de imigrantes na condição de agregados e arrendatários.

Litígio, ação de despejo

Logo que chegaram e tomaram posse de suas terras na Colônia Bunka, a maioria dos imigrantes trabalhou também como colonos nas lavouras de café já existentes. Nas horas vagas iam para suas respectivas propriedades desbravando floresta adentro, derrubando árvores e matas para a plantação de café e para a construção de suas moradias.

Passados alguns anos, os antigos proprietários das terras da Colônia Bunka entraram com uma ação na justiça requerendo a ação de despejo dos imigrantes e a devolução pelo não pagamento. Isso realmente aconteceu, não houve o pagamento, conforme relato da sra. Midori Nishizawa, uma das filhas do sr. Tokow Yamada, em uma entrevista concedida ao jornal Folha da Estância de Paraguaçu Paulista, por ocasião do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, em 2008.

"Meu pai, Tokow Yamada, havia comprado a Fazenda Bunka, que também foi denominada de Colônia Bunka. Ele arrecadou dinheiro junto a outros japoneses que moravam em São Francisco e Los Angeles, nos Estados Unidos, e veio comprar terras aqui na região de Paraguaçu Paulista: adquiriu dois mil alqueires de João Gomes Martins, mais 200 alqueires de uma pessoa de nome Marcondes. A Bunka era 2.200 alqueires, só que o meu pai, quando comprou a fazenda de um grileiro japonês, teve que pagá-la duas vezes: uma vez foi paga a esse grileiro, que não repassou o dinheiro para o proprietário João Gomes Martins. Depois ele teve que pagar novamente, direto para o dono. Acabamos de pagar a Bunka, mais ou menos, em 1935. A Fazenda Bunka poderia ter se desenvolvido mais rapidamente, mas, em virtude do ocorrido, a falta de dinheiro provocou um longo período de estagnação."

Muitos proprietários tiveram que pagar por duas vezes. Fato este publicado, na época, pelos jornais A Nova Comarca e A Comarca.




Recortes dos jornais A Nova Comarca e A Comarca da época, reportando o problema enfrentado pelos japoneses.
Acervo: Museu e Arquivo Histórico de Paraguaçu Paulista


A Sede

Foi instalada no espigão, local alto e plano, de onde era possível avistar quase toda a imensidão da Colônia. Essa descrição é de uma pessoa que conheceu o local na década de 1950, antes de começar a frequentar o então curso primário. Não deve ter havido muita mudança desde a sua implantação até essa época.


Moradores e ex-moradores em frente à Igreja Evangélica. Data provável, 1953.
Acervo: Milton Takeshi Sato


A construção principal era a Igreja Evangélica, que ficava ao lado um campo para práticas esportivas. Em uma extremidade do campo, havia o kaikan, clube social onde a comunidade se reunia para o lazer e outros fins, além de funcionar a escola de língua japonesa. Na outra extremidade estava a escola, de grande porte para época. Depois da escola havia uma casa de comércio, conhecida como armazém ou venda. O último proprietário a ocupar o local foi a família Koga. Distante mais ou menos 100m da igreja, no lado direito, ficava a casa do pastor Junkichi Mori. Era um verdadeiro palacete, de acordo com a construção da época, contando ainda com um pomar. A estrada principal que ia da localidade chamada Bicatu para Paraguaçu Paulista passava no lado esquerdo do campo. A casa imponente do sr. Tokow Yamada ficava em frente à estrada, assim como uma casa menor para o administrador geral da Colônia. Havia muitas outras casas, mas estas seriam as mais marcantes. Anos mais tarde foi construída, também em frente à estrada, a Escola Estadual, de alvenaria, em um terreno de 24.200m2 doados para o estado de São Paulo por Junkichi Mori e esposa, que segundo a Lei no.1064, assinada pelo então governador Lucas Nogueira Garcez, em 14 de dezembro de 1951, e que previa que a execução da obra tipo rural estivesse à cargo do estado.


Na primeira imagem: local aproximado da estrada Paraguaçu-Bicatú (amarelo) e da sede da Colônia Bunka (vermelho). Na segunda imagem: esboço da disposição da sede nos anos 40-50.
Lembranças de Humihiro Nishizawa


Agricultura

A princípio, a cultura predominante era a cafeicultura, mas, a recessão nos Estados Unidos, em 1929, conhecida como Grande Depressão, quebrou a Bolsa de Valores de Nova York. Como era o maior comprador de café, a exportação foi seriamente afetada, consequentemente, muitas perdas ou, melhor dizendo, não havia para quem vender. O governo brasileiro comprou quase todo o estoque e o queimou, para não derrubar ainda mais os preços no mercado internacional. Com tantas perdas, passaram a buscar outras culturas.


Cafezal em formação na mata recém derrubada. Álbum da Colonizadora Martins.
Acervo: José Carlos Daltozo


Na década de 1930 até meados da década de 1940, o algodão passou a ser o principal cultivo da Fazenda, que se destacou como um dos maiores produtores da região. Foi criada a Cooperativa Agrícola Algodoeira, dirigida pelo sr. Tokow Yamada, despertando interesse de grandes fábricas esmagadoras de grãos. Juntamente com outras propriedades no município, forneceram matéria prima principalmente para a extração de óleo e de fibra de algodão. Com isso, ajudou a cidade de Paraguaçu Paulista a ser sede de fábricas como a Sociedade Algodoeira Nordeste Brasileiro, Sanbra, atual Bunge e desativada; multinacional Anderson Clayton & Co, posteriormente Unilever-Gessy Lever, considerada a 2ª maior fábrica da América Latina por ocasião de sua construção na cidade; e, Coinbra, do grupo francês Louis Dreyfus, em atividade até hoje. Atuando na intermediação havia os Irmãos Esteves e a Companhia Saad do Brasil, sendo que esta possuía ainda um depósito. Foi um ciclo de ouro para os agricultores, haja vista que com o dinheiro ganho muitos foram deixando as terras já desgastadas da Colônia para irem em busca de novas oportunidades, principalmente no norte do Paraná, outros comprando chácaras ao redor da cidade de Paraguaçu – Mombuca e em outros rincões.

O amendoim foi a segunda maior lavoura a ser cultivada, principalmente após a queda de produção do algodão, e o milho em menor escala. A fábrica da multinacional Anderson Clayton & Co atuava processando também o amendoim e seus derivados.

Cronologicamente, outras lavouras e atividades foram desenvolvidas na Colônia Bunka. A hortelã, teve participação significativa durante a Segunda Guerra Mundial. Uma história digna de ser mencionada é que entre os arrendatários havia uma família chamada Nakata, cujo patriarca sr. Fukuichi Nakata, era ex-marinheiro e um exímio soldador. Ele ajudou na fabricação de alambiques para destilação da hortelã para produção de menta, destinada à exportação. A última lavoura que cultivaram foi de algodão, depois partiram para São Paulo e fundaram uma pequena empresa, produzindo panelas, pulverizadores agrícolas, peças para máquinas de lavar Bendix. Mais tarde, produziram outros itens como tucho de válvulas para Volkswagen, amortecedores a gás etc. Nakata S. A. Industria e Comércio tornou-se uma empresa de grande porte de autopeças, de capital aberto. Hoje a empresa não mais pertence à família, mas a marca Nakata está estampada em diversas peças de produtos automotivos.

A sericicultura, criação do bicho de seda, apesar de não ser tão expressiva, fez parte da história da Colônia Bunka na década de 1940. Hoje não há vestígio algum dos galpões e das amoreiras, essencial para o desenvolvimento da atividade.

No fim dos anos quarenta houve um incentivo muito grande para a plantação de mandioca. Foi quando o sr. Kinichi Ishitani instalou uma fábrica de farinha de mandioca em sua propriedade, coisa rara na época. Em 1956, a família se mudou para São Paulo e fundou a Torki Industria de Artefatos de Metais Ltda, especializada em conjuntos de panelas de alumínio para culinária oriental.

Outra cultura que teve duração efêmera, em torno de 6 a 7 anos, foi a melancia, a partir do final da década de 1950.

Também no final da década de 50, plantou-se limão, variedade galego. Em algumas regiões do estado a cultura foi afetada pela praga do cancro cítrico e sua plantação e expansão ficaram limitadas. Posteriormente, cultivaram o chamado limão-taiti, que na verdade é uma lima ácida.

Com as terras já cansadas e com pouca produtividade, muitos proprietários partiram para a avicultura. A produção era enviada para a capital paulista por meio das cooperativas, sendo que, inicialmente, foi pela Cooperativa Agrícola Bandeirantes e, posteriormente, pela Cooperativa Agrícola Sul Brasil. Este ciclo durou aproximadamente 10-12 anos.

Uma parte das propriedades da Colônia Bunka sempre foi reservada para a pecuária. Com o êxodo das famílias residentes, a maioria mudando-se para a zona urbana a partir de meados dos anos sessenta, a criação de bovinos foi expandida ao não requerer cuidados diuturnos como na agricultura.

Atualmente é a cana de açúcar a cultura predominante na região, juntamente com a pecuária.


Educação

A grande preocupação dos imigrantes recém-chegados era oferecer educação para seus filhos, em um país cujo idioma e costumes eram totalmente diferentes dos seus. Assim sendo, uma das primeiras providências foi a construção de um prédio escolar. Os alunos frequentavam o curso primário de manhã e à tarde, aprendiam a língua japonesa, isto é, até o início da Segunda Guerra mundial. Uma das primeiras professoras do idioma foi a sra. Take, casada com Kenjiro Matsuyama, conhecida com Take sensei (professora). Segundo consta no livro da saga da família Nakamori, primeiro administrador da Colônia, ela era muito querida por todos. Os últimos professores de aulas em japonês foi o casal Honda, no início da década de 1950. Eles iam de cavalo a determinados sítios, onde se reuniam os alunos das proximidades.

O prédio da escola era feito de madeira e media cerca de 20m de cada lado abrigando duas amplas salas de aula. Na frente, havia os cômodos destinados à moradia do professor e, no fundo, um cômodo grande, que servia de despensa e de cozinha⁷.


Fachada da escola, onde se localizava os cômodos destinados à moradia do professor, no final dos anos 30/início dos 40.
Acervo Sachiê Nagano



Lateral da escola, onde havia uma das salas de aula. No lado esquerdo estava a fachada. Todo o prédio foi construído acima de um alicerce de cerca de 1,5m do solo e contava com uma varanda na forma de U. Final dos anos 30/início dos 40.
Acervo Sachiê Nagano

Pelas fotos podemos observar que muitos alunos já estavam na idade de passar para o quarto ano primário, inexistente na zona rural. Somando esforços, dirigentes das comunidades da Colônia Bunka, sr. Tokow Yamada, e da vizinha Colônia Ribeirão Grande, sr. Kiujiro Marubayashi, juntamente com patriarcas como Kenda Nagamatsu, Nagatoshi Nakano, entre outros, lideraram a arrecadação de recursos para a construção e instalação, em Paraguaçu Paulista, do Jiyū Gakuen (Internato da Liberdade), conhecido por Shogakusha, em 1936, e que foi inaugurada no dia 29 de março de 1938 (ver capítulo específico). A partir de então, os alunos das escolas rurais, incluindo os da Colônia Bunka, puderam ir para a cidade cursar a quarta série e finalizar o ensino primário.

Nosso respeito e agradecimento a todos os professores que lecionaram ou lecionam na zona rural. Requer muito esforço e sacrifício pela localização, muitas vezes, insólita. Destaco o professor Osório Lemaire de Morais, que tomou posse no cargo de professor da 1ª Escola masculina do Bairro da Colônia Bunka, no dia 7 de março de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como o Japão fazia parte do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) que lutava contra o Brasil (fazia parte dos Aliados), havia proibição às aglomerações, leitura de livros e ouvir rádio em japonês etc. O jovem professor veio de Piracicaba diretamente para a Colônia Bunka. Iniciava então uma trajetória que foi muito além da nobre missão de educar, sendo de suma importância para a colônia japonesa. Desenvolveu, não só com seus alunos, mas com toda a comunidade, uma história pontuada pelo respeito, amizade e defesa dos interesses comunitários. Destacou-se, ainda, pela preocupação com a integração da colônia japonesa à comunidade paraguaçuense, buscando amenizar as dificuldades impostas pela segregação racial no conturbado período da Segunda Guerra Mundial.

A seguir, a transcrição de alguns trechos extraídos do livro “O Contador de Histórias”, do próprio Prof. Osório Lemaire de Morais. A foto da capa e os primeiros capítulos são dedicados à Colônia Bunka, relatando sua visão, experiencia, comprometimento e convívio com a colônia japonesa, retratando como era o cotidiano ali vivenciado.


Capa do livro com foto do jovem Osorio Lemaire de Morais, na escada da entrada da escola da Colônia Bunka, onde assumiu o cargo de professor em 1941. Livro publicado no ano de 2005, em Paraguaçu Paulista.


Minha Primeira Escola

"Era o dia 07 de março de 1941, o trem Ouro Verde, da Sorocabana, deixava a pequenina estação de Cardoso de Almeida, rumo a Paraguassu.

...

Ali tomei posse do cargo de professor da 1ª Escola Masculina do Bairro da Colônia Bunka. Foi um momento alegre, pois se realizava naquele momento um sonho: eu era o titular de minha primeira escola.

..."

A Grande Colônia Bunka...

"Por mais que eu escreva sobre o tempo que passamos na bela e acolhedora Colônia Bunka, não consigo descrever com clareza e felicidade, a alegria que a gente sentia no convívio com aquela gente especial.

...

O trabalho na lavoura e o social que a Colônia realizou e eu que assisti e acompanhei foi notável, pois tudo ali funcionava como um pequeno Estado, com encarregados dos setores da educação, saúde, transportes, social etc.

...

O respeito que os japoneses tinham pelo professor era muito especial, como, por exemplo: se nós íamos a pé a algum ponto e encontrávamos com um japonês a cavalo, ele, para nos cumprimentar, descia da montaria. O professor era considerado um ser superior. Até aí os japoneses nos deram belas lições.

Lembro-me de um fato que me marcou muito. Foi no auge da 2ª Guerra Mundial, quando os japoneses sofreram todas as humilhações, e os apanhadores de algodão, gente rude vinda do Nordeste, começaram a importunar as crianças que vinham para escola ainda de madrugada. Entre esses alunos havia mocinhas lindas e a gente começou a temer pela integridade física, principalmente dessas meninas. Foi quando tivemos a ideia de montar um pensionato para abrigar cerca de cem alunos, de segunda a sábado, para evitar uma tragédia. Realizamos algumas reuniões com cerca de trinta famílias e aí fomos denunciados como se estivéssemos reunindo os japoneses para tomar a cidade de “Paraguassú”. É claro que a denúncia partiu de um ignorante...

Em uma manhã, apareceu na escola o Delegado de Polícia, para nos prender. É claro que essa atitude de uma autoridade, dando crédito a um ignorante, me revoltou e, possesso, enfrentei-o e desafiei-o a me prender e assumir a responsabilidade do que acontecesse... Daí por diante ele acabou relaxando a ameaça de prisão. Alguns japoneses estavam próximos e acharam que minha atitude em defesa da Colônia era heroica e, por isso, tive várias manifestações de gratidão. Nada demais havia sido feito a não ser o desejo do professor de preservar a integridade física de seus alunos.

Esse trecho de minha vida marcou profundamente, pois os japoneses eram humilhados, ultrajados moral e fisicamente, por muitas pessoas super ignorantes e, de repente, uma autoridade com diploma de curso superior apronta tamanha estupidez...

Mas, o que interessava a Colônia era a escola e o trabalho, nas enormes lavouras de algodão, e, à noite, na pequena vitrola a corda, ouvir músicas da terra natal, curtir a enorme saudade. Era tudo isso que a Colônia queria...

Como brasileiro, me entristecia ver essa injustiça que era feita com um povo que aqui veio com o único interesse de trabalhar, apenas trabalhar para sobreviver. Mas a ignorância de muitos motivou horas super amargas. Pena que eles tivessem de pagar por um problema que não era deles..."

O dia-a-dia na Colônia

"A Bunka tinha encantos especiais pelo seu povo, pela sua paisagem e pela tranquilidade que sentíamos ali, afastados do mundo, muitas vezes por mais de trinta dias.

Assim era a Colônia Bunka, na década de quarenta, com o seu povo acolhedor e trabalhador.

...

Mas, a Fazenda Bunka continuou sempre uma jóia encravada entre Lutécia, Borá, Fazenda Paineiras e Ribeirão Grande. Ali, os professores podiam realizar um bom trabalho até de alfabetização com alunos recém-chegados do Japão. Com a calma tão necessária a gente conseguiu um índice de cerca de 85% de alfabetização e quase 100% de promoção.

A dedicação e o carinho dispensado a nós pela Colônia foram os principais fatores do sucesso de nosso trabalho. Futebol, basebol eram os esportes praticados pelos jovens e adultos da Colônia, que se reuniam aos domingos no clube próximo à escola. Em alguns domingos, as mulheres da Colônia realizavam a famosa Undo Kai, muitas sob as acusações de alguns poucos brasileiros ignorantes que fustigavam os japoneses mesmo sem saber por que o faziam. Mas, o importante é que muitas vezes os japoneses não conseguiam entender e até riam dos palavrões e ameaças desses indivíduos.

Era revoltante para nós assistirmos a uma série de impropérios dirigidos aos japoneses, que tinham apenas um ideal: o trabalho produzindo cada vez mais, mesmo com os sacrifícios de jovens, adultos, até mesmo de pessoas idosas, que muitas vezes trabalhavam nas noites de lua cheia.

...

Indiferentes a tudo, os japonese prosseguiam seu trabalho, fazendo tudo com muita determinação e amor."

A grande festa: Sete de Setembro de 1943...

"Logo no início do ano letivo, uma comissão de japoneses da Colônia me procurou para manifestar sua intenção de fazer uma grande festa para traduzir sua gratidão pela acolhida que tiveram no Brasil.

Logo, a gente percebeu que que também o desejo deles era amenizar a terrível discriminação que a Colônia sofria, naquela época.

Os japoneses eram tidos como inimigos do Brasil e, embora não fosse essa a missão dos imigrantes japoneses, os brasileiros, principalmente os mais ignorantes, faziam de tudo para hostilizar a Colônia.

Amedrontados, os nipônicos se entregavam ao trabalho, cultivando o algodão, a menta e o café. Fechados, desconfiados e entristecidos, eles curtiam a discriminação em todos os pontos.

Daí, o desejo dos sitiantes e de toda a Colônia de tentar amenizar os maus tratos que recebiam constantemente, maus tratos que atingiam até as crianças.

Após algumas reuniões, marcamos a maior data nacional, o 7 de setembro, para a realização da grande festa. Uma grande verba foi posta à minha disposição para preparar a grande festa. Para tal, foram sacrificados 15 bois, 100 leitoas e 200 frangos, além de 60 sacos de cervejas (com 48 garrafas). 45 sacos de cachaça. 80 sacos de refrigerantes. A mesa para o almoço, que seria servido a partir das 11 horas, tinha 25 metros muito bem ornamentados.

...

A parte patriótica da festa foi realizada às 10 horas, com hasteamento do Pavilhão Nacional, a cargo do dr. Frank Baker, Reitor do Instituto Gammon de Ensino, em Lavras, Minas Gerais, que havia vindo a Paraguassu para o lançamento da Pedra Fundamental do Colégio Paraguassu. Após essa cerimônia, ele rumou até a Colônia Bunka, acompanhado pelo Coronel Antônio Nogueira e outras autoridades.

...

À tarde, houve um disputado jogo de futebol entre um combinado da Colônia e Ribeirão Grande e um combinado de Paraguassu, com a participação de alguns jogados do A B C – Brasil Atlético Clube, entre eles o famoso meio campista “Fumaça”.

Ao anoitecer, super cansados, os promotores da grande festa estavam satisfeitos com o resultado da mesma, pois não houve discriminação entre brasileiros e japoneses, que sentiram que valeu a pena a promoção."

Festa 7 setembro na Colônia Bunka - 1943


"Entre os destaques da Colônia, estão os nossos bons amigos Otoichi Suzuki, Shiraishi, Massao Yuaso, Nakano, Nagano, irmão Matsuyama, Denshiro Saito, Tokow Yamada, Dr. Junkichi Mori, Yassuda e outros. Bem, se a discriminação não terminou de todo, houve uma trégua com alguma diminuição dos insultos que a Colônia ouviu sempre.

...

Nós, eu e minha esposa Helenil, ficamos super felizes por sermos escolhidos para dirigir toda essa grande festa, pois com nossa colaboração, procuramos tentar amenizar o martírio em que viviam os japoneses, num período tão delicado.

Nós, que vivíamos o dia a dia da Colônia e que testemunhamos a grande vontade que os japoneses tinham de viver em paz, trabalhando para colaborar com o progresso Brasil, produzindo cada vez mais, nos revoltávamos com a discriminação e com os insultos que os japoneses enfrentavam a todo instante.

Este é o testemunho de quem presenciou, vivendo no meio da Colônia Japonesa, tudo o que disse neste depoimento, que escrevo após 57 anos, para que algum dia os brasileiros jovens entendam o que a Colônia Japonesa representou e representa para o nosso País."

Bunka, uma saudade, obrigado...

"Durante os anos em que estive na Colônia Bunka, percorri toda a Bunka; fui ao Bicatu, fui da linha da jardineira onde residia a família Hojo, o Pedro Esterque (pai do José Esterque), os Nakata etc...

Visitei a Água da Garrafa, onde moravam as famílias Tagima, Matsuyama etc; fomos ao centro da Colônia, onde moravam os Suzuki, os Nishizawa, Oyama, Ishitani, Sekido etc.

Visitei o Hospital (diga-se de passagem, não tinha nada a ver) onde morava o Miura, depois lá próximo ao Ribeirão Grande os Nakashima, os Miyazawa, o velho Manoel Jerônimo (avô do dr. Rubens Miranda) etc. Finalmente, na sede, os Yamada, os Nakano, Matsuyama, Reverendo Mori, Saito, Abe, Ijima, Shiraishi, Yuaso etc. Ah! Ia me esquecendo do gigante Yasuda, que morava lá perto do Bicatu.

Não ficou um setor da Colônia que a gente não tivesse visitado e feito bons amigos. Assim foi nossa passagem pela bela e acolhedora Colônia Bunka, onde passamos grandes e importantes momentos de nossa vida, da qual sinto muita saudade até hoje.

De repente, era o dia 5 de fevereiro de 1944 e era hora de me despedir desse povo magnífico, dessa terra tão especial.

Á noite, sentado na área da escola, ouvíamos os acordes tão tristes de uma melodia típica do Japão, que vinha da colônia à beira do riacho da Água da Garrafa.

Era a última noite que passávamos aí e já sentíamos no peito uma enorme saudade e uma vontade de chorar... Era o fim da primeira jornada do professor que, após um estágio, era efetivo; eu pertencia ao quando do glorioso Magistério Paulista e isso me enchia de orgulho.

Agora eu partia para outros estágios, mas, mesmo assim, eu não queria deixar aquela gente tão amiga da Colônia, não queria deixar aquele pedaço de chão tão importante para mim...

Mas, a carreira do professor que eu abracei me obrigava a ir frente.

...

Os anos se passaram e hoje, após sessenta anos, guardo em meu coração a figura de cada um daqueles japoneses, que mesmo super discriminados, só tinham um objetivo, trabalhar, trabalhar sempre, às vezes alheios ao que passava lá fora e aos maus tratos que recebiam por aqui....

Colônia Bunka!... Centenas de japoneses amigos que deixamos lá estarão sempre em minhas lembranças..."



Hoje não existe mais a bela e acolhedora Colônia Bunka, nem as escolas lá existentes no passado, restando apenas o prédio construído pelo estado, sem condições de uso. De onde se via, lá na varanda, as luzes das cidades de Marília, Paulopólis, Tupã e Quintana nada mais restou exceto na memória permanente daqueles que lá estudaram e conviveram. Uma homenagem especial, de minha parte, ao saudoso professor Osório, com o qual meu irmão mais velho, Hiromi, teve aulas na Colônia Bunka e eu, honrosamente, terminei o quarto ano primário na cidade de Paraguaçu Paulista.

Esporte, lazer e socialização

A Colônia Bunka, como ficava em um espigão, tinha poucas áreas com terrenos planos. Por isso, o campo para práticas esportivas ficava bem no meio da sede. Muitos praticavam o atletismo, outros tênis de mesa, mas, o esporte de maior destaque era o beisebol.

Esse esporte, amplamente praticado pelos imigrantes japoneses, teve o 1° Torneio Nacional de Beisebol, sediado na cidade de São Paulo, em 1936. Participaram 4 equipes: São Paulo Capital, Bastos, Tietê e Paraguaçu Paulista! O time tinha como base jogadores da Colônia Bunka, complementado por outros de diversas localidades do município.


1° Torneio Nacional de Beisebol, São Paulo, 1936. Equipes de São Paulo, Bastos, Tietê e Paraguaçu Paulista.
Acervo: Museu de Imigração japonesa



Jornal Nippak Shimbun, edição de 5 de setembro de 1936. A sessão Esportes destaca o início do 1º Torneio Nacional de Beisebol e detalha o primeiro jogo entre Tietê e Paraguaçu. *Escalação da equipe paraguaçuense: Koda, Takahashi, Watanabe, Matsuyama I, Matsuyama II, Okumura, Owada, Sakurai e Inada.
#Placar: Tietê 32x14 Paraguaçu.
Acervo: Museu de Imigração japonesa



Time da Colônia Bunka. Início da década de 1940. Foram identificados: Minoru Sato (boné preto, 10º E para D), Nobuichi Sato (boné preto, sentado, 9º E para D, com braço no ombro do colega de frente), Denshiro Saito (de terno, em pé, 3º D para E).
Acervo: Wilson Kazuhiko Saito


Outro esporte praticado foi o tênis de campo. Na inauguração da quadra de tênis de Paraguaçu Paulista, em 1932, o time da Colônia Bunka representou a cidade no amistoso de estreia contra o time da cidade de Quatá. A edição do dia 22 de maio de 1932, do jornal A Comarca, tendo como título “O Tennis em Paraguassú”, iniciava a notícia assim:

"Segundo estava combinado, realizou-se no último domingo, a inauguração do campo de tennis cuja construção vinha sendo feita há tempos. ... Para a partida amistosa foi convidada a equipe do município de Quatá e representando Paraguassú, os atletas foram: N. Nosawa, K. Nakamori, Mario K. Wada, S. Watanabe e H. Wakamuchi, estes da Fazenda Bunka e já conhecidos admiradores do tennis."

Ainda hoje considerado um esporte de elite, é curioso saber que jovens agricultores da Colônia Bunka, eram, na ocasião, um dos poucos iniciados no denominado esporte branco. Isso não pela raça dos praticantes, mas sim pela cor do uniforme à época e padrão obrigatório da vestimenta que perdurou por muito tempo.

No campo de esportes, anualmente, eram realizados os famosos Undokais, ocasião que toda colônia se reunia para competições esportivas de lazer envolvendo as pessoas de todas as idades em uma divertida confraternização. Havia a corrida a dois, com um pé de cada corredor amarrado no outro; cabo de guerra; corrida com saco; revezamento; corrida com ovo na colher; corrida livre de 100m e outras modalidades. Todas tinham premiações como cadernos, lápis, lata de óleo, entre outros.

Undokai no campo de esportes e se vê, ao fundo, o Kaikan, no final dos anos 50.
Acervo: Milton Takeshi Sato



Undokai no final dos anos 50 realizado no campo de esportes e se vê, ao fundo, a escola estadual e, à esquerda, o Kaikan.
Acervo: Milton Takeshi Sato


Até o início dos anos sessenta, a parte social era bastante movimentada, com uma Associação que contava com presidente, vice-presidentes e diretores, além do Seinen-kai (departamento masculino), Joshi–kai (departamento feminino) e Fujin-kai (departamento das senhoras).

Transportes e estradas

Toda a produção agrícola era transportada por caminhões de aluguéis até o início dos anos cinquenta. Conforme melhorava as condições econômicas, muitos adquiriam veículos como caminhões e tratores. Estes serviam tanto na lavoura como para meio de transporte com suas respectivas carretas.

A manutenção da rodovia principal que cortava a Colônia Bunka e das estradas vicinais que iam aos sítios era feita pelos proprietários, em mutirões, até o fim dos anos cinquenta. Eram feitos serviços de capinagem da beira das estradas, tapa buracos, lombadas para escoamento de águas fluviais, consertos de mata-burros e pontes, entre outros, já que os órgãos responsáveis raramente cumpriam com os seus deveres.

Havia uma linha de ônibus diária, tipo jardineira, entre a Colônia Bunka (Bicatu) e Paraguaçu Paulista, mantida pela família Hojo. Não tenho a informação exata de quando se iniciou, mas se manteve até meados dos anos cinquenta, sendo que em determinada época chegou a haver duas viagens diárias.



Jardineira que fazia a linha Colônia Bunka (Bicatu) - Paraguaçu Paulista.
Acervo: Shigeko Hojo


Fatos e Curiosidades

Os filmes japoneses vinham de Presidente Prudente ou de Marília, com camionete com motor estacionário e projetor, e eram projetados, inicialmente, em alguns sítios. Com o passar dos anos, centralizou-se, e as sessões aconteciam no Kaikan da Colônia Bunka. Não era fácil assistir os filmes, pois toda hora arrebentava e o trabalho para emendar era sempre demorado. De vez em quando aconteciam fatos inesperados como quando no meio do filme, no outro lado do rio, viu-se labaredas de fogo em um pequeno paiol ou tulha cheios de algodão estocado e lá se foram os espectadores para combater o incêndio. Nessa ocasião, o cinegrafista fez concessão especial voltando para projetar em nova data. O detalhe foi que nessa nova data houve falha do equipamento no meio da projeção e todos ficaram sem ver o desfecho do filme uma vez mais...

Na época que se iniciou a perfuração do poço de petróleo em Paraguaçu Paulista, no início dos anos sessenta, caiu um enorme balão na região de Bicatu. Não se soube se era para pesquisa de petróleo no subsolo ou se era meteorológico. A empresa responsável levou os equipamentos embora, mas o plástico, muito resistente, ficou para os moradores dos sítios, o que foi uma festa e o material serviu como encerado.

Certa vez, em um sítio, aconteceu um acidente terrível: o tratorzinho Ford passou sobre o tratorista! Graças ao bom Deus ele foi salvo, mas causou um grande susto.

Como foi dito anteriormente, ninguém acreditaria que, nos fins da década de 1940 para 50, poderia ter uma fábrica de farinha de mandioca na Colônia Bunka.

Segundo Akiko Suzuki, na fundação da Colônia Bunka foi construída a Igreja Presbiteriana tendo como primeiro e único reverendo o senhor Junkichi Mori. Com o falecimento de sua esposa, Anna, e já com a saúde debilitada para os trabalhos de evangelização, cedeu todos os direitos e pertences para a Igreja Holiness do Brasil. Ainda hoje nos cultos da Igreja Holiness de Paraguaçu Paulista podem ser vistos bancos, púlpito, móveis e o órgão, que funciona precariamente por falta de afinação.


Igreja Presbiteriana na Colônia Bunka.
Acervo Akiko Suzuki


Quando acontecia os casamentos ou grandes festas na Colônia Bunka, o departamento de senhoras Fujin-kai, se deslocava para fazer os quitutes, como acontece até hoje nas associações em muitos lugares. Um único homem era sempre convocado: sr. Guiichi Nakata! Era um cozinheiro de mão cheia, principalmente de pratos havaianos como a costelinha de porco com abacaxi.

Acredito que o primeiro casamento realizado na Colônia Bunka foi do sr. Kentaro Nakamori com srta. Tsuse Saito. Eles se conheceram e namoraram nos Estados Unidos, mas o casamento foi celebrado no dia 20 de março de 1930, pelo Reverendo Pastor Junkichi Mori.

Enlace de Kentaro Nakamori e Tsuse Saito, realizado na Colônia Bunka, em 1930.
Acervo: José Carlos Daltozo


Deve haver muitas outras histórias para contar... Fica para quem lembrar mais


Colônia Bunka - Fim da Bela e acolhedora

Como descreveu o professor Osório Lemaire de Morais, a bela e acolhedora Colônia Bunka não existe mais! A Colônia, que no seu auge, chegou a abrigar mais de 300 famílias entre proprietários, arrendatários, meeiros etc. Hoje restam apenas três propriedades de origem japonesa: Celina Harumi Nishizawa, neta do sr. Tokow Yamada; Emico Aoki, filha do sr. Kentaro Nakamori; e, Kazumi Nishizawa, filho do sr. Hiroji Nishizawa.


NOMES CONSTANTES NOS MAPAS ORIGINAL (AZUL) E DO MEMORIAL DESCRITIVO DE 1935 (BRANCO E VERDE)⁸
  • Fujimiya K (M no mapa do cartório) - 30 alqueires
  • Funabashi I (Funabashi no mapa do cartório) - 20 alqueires
  • Hara S - 30 alqueires
  • Hojo Suehiro - 30 alqueires
  • Ida M - 20 alqueires
  • Ishihara Shigetaro - 35 alqueires
  • Ishitani Kinishi - 20 alqueires
  • Ito Namishiro - 15 alqueires
  • Kawamura Jiro - 10 alqueires
  • Kimura J - 30 alqueires
  • Kondo S (Consta juntamente com Nitta C) - 50 alqueires
  • Kono C (Kondo no mapa do cartório) - 20 alqueires
  • Koyama Massaishi - 40 alqueires
  • Kubota Y (consta juntamente com Suzuki K) - 50 alqueires
  • Kuroiwa T (H no mapa do cartório) - não consta quantidade
  • Marubayashi Shigueta - 10 alqueires
  • Marubayashi Toyojiro - 30 alqueires
  • Matuda O (Matsuda no mapa do cartório) - 10 alqueires
  • Miyazaki A - 35 alqueires
  • Nagata H - 30 alqueires
  • Nakajima S - 55 alqueires
  • Nakano Nagatoshi - 25 alqueires
  • Nakata Guinchi - 10 alqueires
  • Nishibayashi I (J no mapa do cartório) - 20 alqueires
  • Nishiyama Y - 40 alqueires
  • Nishizawa Hiroji - 40 alqueires
  • Nishizawa Shuuji - 20 alqueires
  • Nitta C (consta juntamente com Kondo S) - 50 alqueires
  • Otaki Y - 30 alqueires
  • Saito T (D no mapa do cartório) - 10 alqueires
  • Saito Y - 20 alqueires
  • Sato S - 20 alqueires
  • Sekido Y - 26 alqueires
  • Shiraishi J (S no mapa do cartório) - 5 alqueires
  • Sugawara G (Y no mapa do cartório) - 20 alqueires
  • Suzuki K (consta juntamente com Kubota Y) - 50 alqueires
  • Suzuki Kiukichi - 20 alqueires
  • Tanzawa F (Tanizawa T no mapa do cartório) - 20 alqueires
  • Uyeda K - 20 alqueires
  • watanabe C - 40 alqueires
  • Yaginuma M - 10 alqueires
  • Yamada Tokow - não consta quantidade
  • Yano K - 30 alqueires
  • Yasuda Otoichi - 20 alqueires
  • Yazawa S - 20 alqueires
  • Yokota G - 10 alqueires
  • Yuasa M - 20 alqueires


NOMES QUE CONSTAM APENAS NO MAPA ORIGINAL (AZUL)⁹

  • Iijima I - 50 alqueires
  • Kitamura S - 20 alqueires
  • Matuyama M - 22 alqueires
  • Miura Y - 50 alqueires
  • Miyake K - 20 alqueires
  • Morimoto Y - 20 alqueires
  • Nakai S - 10 alqueires
  • Owada N - 5 alqueires
  • Shimada M - 32 alqueires
  • Watanabe K - 87 alqueires


Observações:
No mapa original (azul) consta ainda o nome de Franceschini Luiz - 25 alqueires. Lotes Desocupados:
  • 1 de 6 alqueires
  • 1 de 10 alqueires
  • 1 de 14 alqueires
  • 9 de 20 alqueires
  • 1 de 30 alqueires
  • 1 de 35 alqueires
  • 1 de 35,5 alqueires
  • 1 de 40 alqueires


NOMES QUE CONSTAM APENAS NO MAPA DO MEMORIAL DESCRITIVO (BRANCO E VERDE) PROVAVELMENTE ANEXO ÀS ESCRITURAS

  • Abe K
  • Asahi Kazuyuki
  • Fujita S
  • Hara S
  • Hashimoto Shigueta
  • Hashisaka Sakuichi
  • Matsunaga O
  • Nemoto S
  • Nishida M
  • Sato Kenichi
  • Shiba S
  • Shimayama S
  • Shinobe K
  • Simasaki Chutaro
  • Takagi Tokuichi

São esses os proprietários que constam no mapa, talvez haja incorreções.
Parece que alguns adquiriram, mas não chegaram a morar na Colônia Bunka. Por outro lado, há muitas outras famílias que foram proprietários ou arrendatários que moraram na Colônia Bunka e que poderão ser citados na medida em que forem lembrados: Oka, Yokoyama, Hojyo, Ogawa, Shiga, Ossanai, Itioka, Makita e irmão, Fukuichi Nakata, Fukumoto, Kawahigashi, Kurozaki....




¹:Comunicação oral de Celina Harumi Nishizawa, neta do sr. Tokow Yamada.

²:Passou da categoria de distrito para município em 1944.

³:Passou da categoria de distrito para município em 1964, com instalação efetivada em 31 de março de 1965. De acordo com o censo demográfico é o segundo menor município em número de habitantes do Brasil, perdendo somente para Serra da Saudade, no estado de Minas Gerais.

⁴:Dados obtidos na revista Kaikan - História e Memória, de Luiz Carlos de Barros, editada pela Associação Cultural Nipo-Brasileira de Assis, por ocasião do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

⁵:Dados informados por Hiromi Nishizawa.

⁶:Os que estão entre parênteses vieram dos Estados Unidos como agregados familiares.

⁷:Conforme descrição no livro O contador de histórias, do Prof. Osório Lemaire de Morais.

⁸:Ordem Alfabética.

⁹:Provavelmente, em virtude da desistência, principalmente dos que vieram do Japão.