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MEMÓRIA DA HISTÓRIA

Texto de Takahiko Hashimoto




A foto da década de 50 retrata parte dos patriarcas das famílias que formavam a colônia japonesa da época.
Foto/Acervo: Família Moriyama


Ao se escrever a história de Paraguaçu Paulista, a partir dos anos vinte do século passado, não se pode fazê-la ignorando a participação da colônia japonesa.

Com protagonismo em algumas áreas como a agricultura, mas também com grande influência em outras como o comércio, a política, a educação, o esporte, e outros setores, a atuação dos imigrantes e seus descendentes está umbilicalmente ligada ao desenvolvimento do município.

Como disseminado através de fontes diversas, a imigração japonesa teria acontecido a partir de 1925, quando foi criada a Colônia Bunka.

Duas informações que emergiram das pesquisas, podem trazer dúvidas em relação a esse pioneirismo migratório:

Portanto, pela primeira revelação é incontestável a presença dos japoneses na região, já no início dos anos vinte sem, no entanto - por ser censo, permitir saber os nomes dos mesmos. A segunda referência, apesar de trazer alguns nomes, não é definitiva em relação ao período correto e, portanto, levanta dúvidas, trazendo elevado grau de incerteza.

Assim:

Chega-se à conclusão de que 1925 pode ser considerado como o ano do início da saga da imigração japonesa em terras paraguaçuenses, pela relevância quantitativa ocorrida e pela diversidade das áreas ocupadas. Dando-se, no entanto, o devido crédito e manifestando o respeito aos que marcaram presença na época anterior à citada data.

Para se dimensionar a evolução quantitativa das correntes migratórias, ainda de acordo com Camargo - 1952, para uma população de 24.358 habitantes em 1.940, Paraguaçu tinha 224 italianos, 246 portugueses e 1.843 japoneses. Correspondiam então, os nipônicos, 7,5% da população total.

Originalmente a ocupação teve uma nuance incomum. Uma corrente migratória era procedente dos Estados Unidos, de famílias que frustradas na primeira opção escolhida, buscavam um segundo país como destino. Essa vertente foi liderada por Junkiti Mori e Tokow Yamada que na primeira metade dos anos 20 adquiriram as terras, que divididas, começaram a serem trabalhadas em junho de 1925, pelos conterrâneos “americanos”, formando a Colônia Bunka.

A outra corrente, que também se instalou em Paraguaçu Paulista na mesma época do grupo dos EUA, foi a formada pelas primeiras levas de imigrantes, que tiveram como destinos iniciais outras localidades, sobretudo do Estado de São Paulo. São principalmente aqueles que após alguns anos de trabalho nas fazendas de café, tinham recursos financeiros para o início de uma nova vida. Essa vertente espalhou-se por vários bairros rurais, como Ribeirão Grande, e Água da Lebre - Taiyo. Várias famílias, como a de Kiujiro Marubayashi – em 1925, se instalaram no Ribeirão Grande, enquanto outro núcleo formado por famílias como a de Matataro Hashimoto – esta em 1926, fixou-se no bairro da Água da Lebre - Colônia Taiyo.

É citado que em 1933 já existiam mais núcleos espalhados como o do Cristal, sendo crível que, pela data, possivelmente também fizeram parte da primeira fase pioneira em 1925/1926 centro de concentração humana.

Após o ciclo do café e o apogeu agrícola com o ciclo do algodão, após o esgotamento das terras e condições desfavoráveis em relação à economia mundial da cotonicultura, a cidade e a colônia entraram numa fase de dificuldades. Esse período - final dos anos 40 a início dos anos 50, marcou o começo da evasão das famílias em busca de novos horizontes. Muitas mudaram para o Estado do Paraná, atraídas pelas terras férteis recém-desbravadas. Outras famílias buscaram a capital – São Paulo, não apenas pelo objetivo de alternativa econômica, mas pressionadas também pela preocupação da continuidade da educação de seus filhos em busca de formação superior.

Mas, as famílias que permaneceram – muitas até hoje, continuaram a contribuir para o desenvolvimento desta terra.

Desde 1925 até os dias atuais, pelo exemplo de dedicação e eficiência no trabalho, comportamento ético e moral, preocupação com o coletivo, importância com a educação, responsabilidade, resiliência e outros valores, a colônia japonesa tornou-se respeitada e considerada no meio da sociedade paraguaçuense.

Com certeza é a herança mais valiosa deixada para as futuras gerações.