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Memória das Atividades Econômicas

Texto de Mirian Marubayashi Hidalgo. Baseado no livro de Tomoo Handa, O imigrante japonês.



Os japoneses chegaram ao Brasil como imigrantes contratados pelas fazendas de café e tinham como objetivo o rápido enriquecimento. Aqui chegando, tudo contrariava o imigrante, desde a falta de dinheiro pelo sistema de salário, a alimentação, a moradia, o clima e a atmosfera da fazenda, até o “jeitão” de superioridade do administrador, a arrogância do fiscal e o mau atendimento do intérprete. Também houve divergências entre os próprios japoneses. A fazenda de café não era lugar adequado para o rápido enriquecimento.

Os imigrantes colonos não podiam deixar de pensar em se tornarem sitiantes independentes e administrarem a própria terra. Assim chegaram grupos de japoneses à Paraguaçu Paulista e formaram os núcleos de colonização do Ribeirão Grande, Taiyo e, com alguma diferença, Bunka. Eram núcleos formados pelos próprios imigrantes em torno de um líder.

Desbravaram a mata virgem e se dedicaram, com afinco, à agricultura demonstrando grande competência, testando diversos produtos e sendo, na maioria das vezes, bem-sucedidos. Até pouco antes da Segunda Guerra Mundial, 90% dos imigrantes japoneses radicados no Brasil se dedicavam à agricultura. Demoraram a começar a lidar com pecuária, o que explica e caracteriza haver tão poucos pecuaristas japoneses até hoje.

Aos poucos, foram se transferindo para as vilas e os centros urbanos por não suportar a vida de lavrador, por razões de saúde, educação dos filhos, estilo de vida ou de cultura. Mas, dedicar-se ao comércio e à prestação de serviços, no início, eram exceções. E esses poucos lidavam, basicamente, com clientela japonesa. Foi só após o desmantelamento dos núcleos de colonização, 30 anos mais tarde, que efetivamente aconteceria a introdução dos japoneses em ambos os setores.

De modo geral, foi no período da II Guerra Mundial que os imigrantes japoneses iniciaram os seus empreendimentos industriais montando uma pequena unidade fabril artesanal.

Deve-se mencionar que, qualquer que fosse a atividade escolhida pela família, cabia ao primogênito a tarefa de trabalhar junto com os pais. O costume era uma tradição japonesa de delegar ao filho mais velho a continuação da atividade familiar e a necessidade de ajudar a custear os estudos dos irmãos mais novos. Enquanto os mais velhos trabalhavam, os irmãos mais jovens ingressavam em cursos técnicos, como o de contabilidade, principalmente porque era mais fácil lidar com números do que com o português. Algumas filhas nisseis frequentaram as Escolas Normais, tornando-se professoras.

Muitos dessa geração seguiram para estudos superiores e foram surgindo os profissionais de origem nipônica graduados, especialmente nas áreas de engenharia, agronomia, medicina, administração, odontologia, entre outras.