Memória dos Esportes
Texto de Takahiko Hashimoto
Os imigrantes japoneses e seus descendentes deixaram marcas indeléveis na história da cidade. O esporte é uma
das áreas onde a participação foi intensa, ora como coadjuvante, ora assumindo um grande protagonismo.
O excelente texto do Humihiro Nishizawa, com a colaboração de Milton Takeshi Sato sobre a história do beisebol
em Paraguaçu Paulista, mostra que:
“Em 1936, apesar de ser uma modalidade esportiva ainda pouco conhecida, a equipe formada majoritariamente por
jovens da Fazenda Bunka, teve o privilégio de disputar o 1º. Grande Torneio Nacional de Baseball, na cidade de
São Paulo, junto com as equipes de São Paulo, Bastos e Tietê, conforme registrado nos Anais da História de
Beisebol no Brasil, sendo considerada uma das cidades pioneiras na prática deste esporte, no interior do estado
de São Paulo.”
No judô o pioneirismo está relatado por Marcos Miyashiro na publicação original no Facebook, em CT Isaburo Suto
- Judô APVJ e aqui reproduzido com a devida autorização. Nele se conta que tudo começou no início da década de
1940, quando chegou a Paraguaçu Paulista o Sensei Yokichi Kimura, proveniente da cidade de Bastos. O autor
apresenta um panorama dos primórdios clandestinos da atividade esportiva na cidade e narra toda a trajetória até
os dias de hoje. O relato é ricamente complementado por fotos, principalmente do acervo da família Moriyama.
O tênis de campo foi uma das modalidades que mais glórias trouxe à cidade. Na memória dos paraguaçuenses, alguns
nomes orientais estão marcados de forma definitiva neste esporte. Os maiores representantes foram Michiaki
Sasaki e Ujiro Nishiura no masculino e Missae Yuaso no feminino.
Interessante achado foi revelado nas pesquisas sobre o tema. A edição do dia 22 de maio de 1932, do jornal A
COMARCA, tendo como título “O Tennis em Paraguassú” iniciava a notícia assim:
“Segundo estava combinado, realizou-se no último domingo, a inauguração do campo de tennis cuja construção vinha
sendo feita há tempos.”
A surpresa revelada no corpo da reportagem é que, para o evento, foi convidado a equipe do município de Quatá e
representando a então Paraguassú os atletas foram “...N. Nosawa, K. Nakamori, Mario K. Wada, S. Watanabe e H.
Wakamuchi”. Emocionante constatar que os japoneses foram os precursores neste esporte tão tradicional em
Paraguaçu Paulista. Ainda hoje considerada uma atividade de elite, curioso saber que jovens agricultores da
Fazenda Bunka eram, na ocasião, dos poucos iniciados no denominado “esporte branco” (não pela raça dos
praticantes, mas pela cor do uniforme à época e padrão obrigatório da vestimenta que perdurou por muito tempo).
No tênis de mesa, nas décadas de 60, 70 e 80, as convocações para defender a cidade nas competições tinham,
obrigatoriamente, nomes japoneses como de Shigueyuki Yonashiro, Shiguemitsu Shiwa, Yoshinori Shiwa, entre
outros.
No basquetebol, os representantes da colônia foram Yoshi Takara (era conhecido como Yudi) e Tadashi Nishiura no
masculino. No feminino, brilharam as irmãs Missae e Emília Yuaso. Também fazia parte da seleção a jovem Tereza
Itiki, cujo pai era o senhor Mário Itiki, que trabalhava com “carro de praça”, denominação da época ao que hoje
se diz taxista ou motorista de Uber.
Os citados atletas defenderam as seleções da cidade em inúmeras competições como os Jogos Regionais e Troféu
Bandeirantes. O Yudi, pela habilidade, era um destaque em toda a região. As duas Yuaso, compondo um time que viu
nascer a grande estrela paraguaçuense Elzinha e a embalou nos primeiros momentos da sua vida esportista.
Importante lembrar que a Missae Yuaso foi uma multiatleta, pois além do basquete, representava a cidade também
no tênis de campo, no vôlei e ainda praticava o futebol de salão feminino. O mesmo pode-se dizer da Emília Yuaso
que integrava as equipes de basquete, vôlei, futebol de salão e atletismo.
No futebol, se não houve nomes se destacando como representantes da cidade em seleções amadoras, internamente,
vários fizeram sucesso nas equipes locais. Alguns defendendo os times que eram os melhores da época, como a do
Colégio Paraguaçu, Ginásio Estadual, Tiro de Guerra, ou de empresas da cidade como A SEMANA. Entre eles,
Humihiro Nishizawa, Eisuke Katekawa, Toshinobo Yoshino (Tuim) e vários outros.
No futebol de salão - hoje futsal, vários esportistas apareceram. No auge dos primórdios da modalidade houve,
inclusive, um time de grande realce que tinha o nome de NISSEI. Era tão bom que chegou a representar a cidade em
competições oficiais. Como o nome sugere, parte dela era formada por atletas que eram da colônia. Mais
precisamente, Eisuke Katekawa, Kiyouki Hanashiro e Kiyoaki Hanashiro. Nos campeonatos citadinos, nomes orientais
compunham várias equipes, como Humihiro Nishizawa, Toshinobo Yoshino (Tuim), os irmãos Mário e Luiz Hassegawa, o
goleiro Tadashi (Mané) Nishiura, além de outros.
Provavelmente a última grande participação esportiva da colônia, como um todo, seja os IV Jogos Inter Coloniais
do Interior, ocorrido no período de 22 a 29 de janeiro de 1972, sediado pela cidade de Bastos - SP.
Nas décadas mais recentes, o foco esportivo da colônia foi redirecionado para o gatebol. O antigo campo de
beisebol foi transformado em um grande centro reunindo vários campos para a prática deste esporte. Um deles,
inclusive, é o único campo coberto da Sorocabana.
Hoje, infelizmente, a participação de membros da colônia nas várias atividades, exceto no caso do judô, é
inexpressiva. Mas, nos anais da história de Paraguaçu Paulista, estará escrita para sempre, a valorosa
contribuição dos japoneses e seus descendentes para o esporte da cidade.
Merece ser destacado neste capítulo sobre esportes, o nome do senhor Taro Moriyama. O leitor atento irá observar
que nas fotos dos diversos esportes, sua presença é recorrente. Como atleta, como incentivador e,
principalmente, como dirigente colaborou ativamente durante décadas nas várias modalidades. Não só no judô ou no
beisebol, em que a participação era majoritariamente de membros da colônia, mas também desenvolvia atividades
como fisioterapeuta e massagista para outras equipes, acompanhando as delegações nos Abertos do Interior ou em
outras disputas envolvendo seleções da cidade. Foi, certamente, a figura com maior presença no meio esportivo
geral, representando a comunidade nipônica.